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segunda-feira, 23 de março de 2015

Falar de Videojogos ~ Ouroboros

Todos nós (que nos interessamos pela indústria dos videojogos) assistimos ao longo dos anos ao nascimento e morte de vários projectos de sites sobre videojogos, sejam internacionais, ou nacionais. E cada vez que algo de novo surge, perguntamo-nos o mesmo: o que é que este tem de diferente? E se os utilizadores se perguntam isso, é de espantar (ou não) que os criadores desses projectos não se tenham interrogado sobre o que iriam trazer de novo, antes de começarem o dito.

Sim, porque na vasta (vastissima!) maioria das vezes, novos sites/portais sobre videojogos apresentam-se apenas como um reciclar do molde tradicional convencionado pelas plataformas internacionais mais populares. Ou seja, temos as previews (que ninguém, nunca, jamais, à face deste planeta, lê. Mas que são uma espécie de obrigação moral de qualquer site de videojogos, apesar de não servirem absolutamente para nada! E a sua própria existencia é no minimo estranha, se pensarmos que previews é uma coisa que basicamente não existe na critica jornalistica de filmes ou música. Mas se ainda assim acharem que as previews são importantes, peçam ao dono de qualquer site do género para comparar o trafego e cliques que tem em previews, quando comparado ao resto...), as reviews escritas (em que geralmente as pessoas apenas vêem a pontuação e/ou lêem o primeiro e último parágrafo) e os especiais (que normalmente involve a ida a enventos, para depois noticiar exactamente a mesma informação que todas as outras fontes conseguiram através da mesma fonte, no mesmo local. Ou seja, são redundantes também). 

Visto desta forma, até poderá parecer que eu prefereria um mundo onde apenas um site central e generalista existisse onde todos nós lá fossemos buscar a informação. Não, nada disso. Mesmo entre sites mais ou menos semelhantes, como acontece com a IGN e Gamespot, existe claramente um grande factor de diferenciação. Neste caso, é que a Gamespot é irritante e arma-se aos cágados com as suas análises, e a IGN é aceitavel, na minha opinião. A diferença está nas pessoas que trabalham e operam estes/nestes sites.

Depois existem outros, como o Kotaku, que funciona essencialmente como a Revista Maria dos videojogos: toda a gente diz mal, toda a gente insulta, mas toda a gente lê. E, no fim de contas, toda a gente acaba por aprender alguma coisa quando passa por lá, seja para o bem ou para o mal (ou prós lados do hentai).


Temos tembém o Gametrailers, provavelmente o meu local favorito para conteudo original. Podcasts, reviews, previews, especiais e outros programas diversos, tudo em formato de vídeo. A conveniencia e atractividade do formato são ainda complementados pelo talento e carisma humano daqueles que dão a voz e cara ao material, e é isso que torna o site tão popular. Note-se que não é particularmente informativo, já que não se dedica muito a dar noticias (embora elas sejam referenciadas em vários dos seus programas de conversa, assumindo que o seu público está a par dos acontecimentos correntes).

Estes são os sites de referencia que utilizo (na verdade quase nunca ponho os pés na Gamespot, mas pronto), mas obviamente existem outros que....basicamente são um reciclar do que podemos encontrar nestes que referi.

Não visito qualquer site não ingles com regularidade. E porque o faria? Não conheço nenhum onde possa encontrar algo de interessante que não encontre nos supracitados.

Onde quero chegar com tudo isto? Não sei bem. Sei que me "incomoda" um bocado quando vejo novos sites sobre videojogos que não acrescentam absolutamente nada de novo à formula, e, em muitos dos casos, sofrem também de falta de conteudo, seja ele reciclado ou não. No fundo, são apenas mais um "Ok, eu também quero fazer isto". São projectos umbigo.


É pena que não haja mais variedade e mais qualidade. Acredito que algo mais pode ser feito. Que ainda está para surgir um lugar onde se discuta o tema de forma diferente e interessante. Se essa ideia mágica me surgir, prometo que o irei fazer. Se entretanto surgir a alguém, por favor partilhem com o mundo. Precisamos. A indústria precisa de algo novo, algo menos tendencional.

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