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terça-feira, 24 de março de 2015

À deriva pelos videojogos ~ Bloodborne, borrifamentos e desilusões


Tenho a Xbox One há cerca de 6 meses, e tem estado desligada desde que acabei Sunset Overdrive (que vinha incluído com a consola quando a comprei). Entretanto tenho estado este tempo todo à espera de novos jogos que interessem, que teimam em não surgir. 

No lado da PS4 (que irei adquirir em breve) surge agora Bloodborne. Essa nova luz de esperança nos céus, que os críticos já decidiram que seria o melhor jogo de todo o sempre mesmo antes de lhe porem as mãos (sim, é a isto que se tem assistido). "Porreiro", penso eu. Mas começo a ler as criticas que vão surgindo do jogo. Todas falam de 20 horas...40 horas e o quanto o jogo é excelente mesmo passadas não sei quantas horas. E eu por outro lado penso "Pá, não tenho tempo nem paciência para jogos de 20 ou 40 horas! Não tenho vida para isso! Esquece". Contraditoriamente, viro-me para a PS3, e continuo a jogar GTA5 de vez em quando, onde já levo sem duvida mais de uma centena de horas de jogo. Então que raio?!


A culpa é minha, ou da indústria que está desajustada para consumidores como eu? Estarei eu, estaremos nós, ao abandono, aproveitando só a ocasional obra perfeitamente limada a nosso gosto, enquanto 95% do que se produz nos passa ao lado e aponta na direcção de um público completamente diferente? 

Serei eu o único que salivo ansiosamente por um novo Max Payne 2, com as suas perfeitinhas e redondinhas 5 horas de jogo imaculadamente polidas para me entreter?


Cada vez mais me sinto marginalizado, a nível de conteúdo, de uma indústria que parece querer ignorar-me à força toda. Mas não serei certamente o único a sentir-me assim. Citando Bob Whitehead (co-fundador da extinta Accolade e da Activision) quando lhe perguntaram o que sentia sobre o estado da indústria dos videojogos:

Too dark and derivative for my taste. The console and computer gaming business is too narrowly defined by the 14 [year old] male mentality and all his not-so-honorable fantasies. It's being driven by what has worked and afraid of what a 10 million dollar development bust will entail. It has lost its moral compass.


Não me revejo tanto na parte da perda de moral, mas não poderia concordar mais com a observação que diz respeito ao alvo demográfico. Os consumidores de facto estão mais velhos, e os há de todas as idades. Mas o conteúdo continua a ser geralmente demasiado infantil, repetitivo, imbecil, monótono e obcecado. E temos de ser nós, a "clientela", a começar por admitir o estado da situação.

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