Deixem o vosso e-mail para receber notificações de novos artigos...e ganhar brindes

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Tomb Raider


Parece que ultimamente só me dá para escrever sobre o ruim...e se calhar, sim. Tomb Raider então!


Tomb Raider, o reboot, re-imagening, origin story ou o que quer que lhe queiram chamar. Eu chamo-lhe “Uncharted de água e sal”, que é para já ficarem a perceber o tom da minha opinião geral do jogo.

Para que fique claro, um clone por si só não é necessariamente mau. Existem muitas obras que recriam as formulas de outros titulos e as adaptam ao seu universo e contexto com bons resultados. O problema é quando um clone existe e se apresenta no limiar da fonte em que se inspira, e nunca consegue introduzir nada de novo e significativo. Tomb Raider é um desses clones. 

Para quem está familiarizado com os excelentes Uncharted (excluíndo o Unchartedexclusivo da PS Vita, que sofre exactamente da mesma problemática que este TombRaider), este Tomb Raider não vai surpreender em nada, excepto em relação ao comparativo decréscimo em qualidade.

Enquanto Uncharted tenta e consegue apresentar uma experiencia imersiva e amplamente cinematográfica onde a aventura se desenrola de forma fluida e sem interrupções intrusivas, Tomb Raider caminha exactamente na direcção oposta. É um jogo que está constantemente a lembrar-nos que estamos a jogar um videojogo! Da forma mais irritante possivel. Ou seja, por um lado temos todo o espalhafato gráfico (como titulo multiplataforma, é visualmente impressionante!) e esforço cinematográfico na apresentação, mas por outro lado, temos upgrades de armas e skills, milhentos de items coleccionaveis, pseudo side quests que nao acrescentam absolutamente nada à narrativa, e um level design com opção de viagem rápida entre vários pontos do mapa que desfaz por completo toda a lógica do arco narrativo e a imersão contruida pelo desenrolar da acção. O próprio level design de várias das arenas do jogo (sim, porque muitas das áreas de jogo de Tomb Raider são na verdade “arenas” que incluem simples puzzles espaciais, inimigos para combater e colecionaveis escondidos) é frequentemente confuso, aborrecido, e ao invés de puxar à exploração e despertar a curiosidade, acaba por conduzir o utilizador para um estado de apatia e “meh, caga nisso e segue em frente mas é...”.

O argumento é genuinamente intrigante e interessante. E se alguma coisa, foi o que me motivou a completar este Tomb Raider. Mas durante todo o jogo eu senti-me a lutar tanto contra os inimigos virtuais presentes no dito, como com os produtores que construiram a obra e estavam constantemente a tentar distrair-me da acção principal.  Talvez isto não incomode a maioria das pessoas (claramente, visto que a a generalidade das criticas a este Tomb Raider foram muito positivas), mas para mim, a falta de determinação e direcção, além de irritante e maçadora, é também insultuosa.  É um jogo que poderia ser uma experiencia, mas força-se a ser “apenas” um jogo cheio de “gamification gimicks” que parecem apenas existir para aqueles que precisam dos elementos básicos e datados de um videojogo nos seus videojogos.  Tomb Raider é um passo atrás. 

Mau level design, e elementos de jogo forçados estragam a experiencia do principio até ao fim. É pena. E em relação à sequela que aí vem, não terei pressa nenhuma em lhe pôr as mãos em cima. A não ser que muita coisa mude.

Sem comentários: