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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sunset Overdrive


Muito provavelmente o melhor titulo da Insomnic Games até à data, e talvez o melhor exclusivo desta geração até ver.
É raro um jogo me surpreender, muito raro aliás. Mas foi exactamente isso que aconteceu com Sunset Overdrive. Surpreendeu-me, positivamente. E a culpa não é minha. É que não é mesmo. Eu tinha baixas expectativas, e estava à espera de odiar o jogo e o seu estilo cómico, mas foi precisamente nesse aspecto que o cujo mais me surpreendeu. A culpa, foi do marketing, mas também de alguns “jornalistas” dos videojogos.

O marketing promoveu o jogo para os adolescentes de 13 anos, e tentou esconder a escrita e construção inteligentes que o compõem (um pouco ao estilo do que aconteceu com Spec Ops: The Line, embora os dois jogos não tenham praticamente nada a ver um com o outro. Mas se jogaram ambos e acompanharam as suas campanhas de marketing, espero que consigam perceber esta minha comparação).  E alguns dos “jornalistas” de jogos, das duas uma, ou praticamente nem tocaram no jogo, ou faltou-lhes a capacidade intelectual para perceber o tipo de humor e escrita totalmente meta e “self-aware” que conduzem o jogador do principio ao fim.


É o humor, e a escrita, que realmente mais me impressionaram em Sunset Drive.  A fourth wall é constantemente quebrada pelas personagens de Sunset Drive, e gradualmente o jogo se transforma não só numa paródia aos videojogos e a sua industria em geral, como também numa paródia de si mesmo, e do seu lugar nesse mesmo espaço dos videojogos. Fá-lo sem se levar muito a sério, mas executa essa sátira de forma muito séria e rigorosa, sem quebrar, nem abusar em excesso. Percorre de forma equilibrada aquela linha muito ténue entre o que poderia ter sido uma paródia estupida e esgotante, e a sátira e critica auto-referencial incisiva e inteligente que é.  O brilhantismo de Sunset Overdrive, na minha opinião, surge quando faz referencia directa a elementos reais do “mundo real” que todos nós conhecemos.  Facebook, Gamefaqs, Neogaf, e outros mais.  E o brilhantismo acontece porque faz estas referencias sem qualquer tipo de explicação ou exposição excessiva, e sem repetir as referencias! Ou seja, Sunset Overdrive sabe que quem apanhar as referencias, as vai perceber imediatamente. E para aqueles que não as apanharem, é escusado tentar explicar. No fundo, o brilhantismo acontece porque o jogo não ofende a inteligencia do utilizador. Antes pelo contrário, recompensa-o. E isto, infelizmente, é ainda muito raro na escrita presente em videojogos.

Mas não é só na escrita e na subjectividade do teor intelectual que Sunset Overdrive triunfa. Felizmente, é acima de tudo um jogo muito divertido de jogar, e viciante.  Mecanicamente falando, trata-se essencialmente de um pseudo-sucessor de Jet Set Radio (embora muitos possam apontar Infamous como uma inspiração mais recente...embora também se possa dizer que infamous era/é altamente influenciado por Jet Set Radio na sua jogabilidade), mas com pormenores que tornam e funcionalidades que tornam a sua jogabilidade bastante mais complexa e complicada que JSR. Sunset Overdrive é um daqueles jogos faceis de pegar, mas que levará imenso tempo a dominar todos os seus pormenores e infimas possibilidades de acção. Seja como for, mantém-se sempre divertido, e agarra-nos ao ecrã.


Se existe um problema de maior relevo em Sunset Overdrive, é o sistema de upgrades e skills. Eu terminei o jogo sem nunca realmente perceber como funcionam exactamente todas as opções. Existem upgrades para as armas, upgrades para os upgrades das armas; cada tipo de upgrades necessita de “ingredientes” especificos que recolhemos no mapa de jogo; existem skills para a nossa personagem, e cada skill está sujeita a upgrades; depois ainda temos acesso a “traps”, com os seus correspondentes upgrades. Enfim, um autentico clusterfuck, que certamente muitos jogadores irão adorar explorar, mas que para mim representa apenas mau design e um obstáculo à minha natural progressão no jogo. O que vale é que no fim de contas podemos ir seleccionando tudo mais ou menos ao calhas, e mesmo assim o jogo adapta-se às nossas preferencias. Sim, porque em Sunsent Overdrive, quanto mais usamos as mesmas armas mais depressa elas fazem level up (sim, as armas também têm niveis). E o mesmo acontece com as nossas acções: a nossa personagem vai ficando melhor naquilo que nós mais fazemos. 
Vendo bem, é um sistema equilibrado, que dá espaço de manobra aos mais puristas que gostam de personalizar tudo a seu gosto, mas também permite que aqueles que prefiram ignorar estes aspectos também tenham uma personagem que vá reflectindo a sua “personalidade” dentro do jogo.

Ah, outra coisa, a banda sonora. É irritante. E inconsistente. Não sou fã de punk, e este jogo é todo ele bastante punk. Além das faixas não serem do meu gosto (embora me habitue), o sound-design tem vários problemas. Não é raro nos encontrar-mos a explorar a cidade em absoluto silencio, com a música em mute e apenas os efeitos sonoros de ambiente activos. É bastante estranho quando isto acontece, sobretudo porque de um momento para o outro a música é capaz de se “activar”, apenas para regressar a um estado de absoluto silencio pouco tempo depois, de forma aparentemente aleatória.



Concluindo, Sunset Overdrive é um bom jogo. Uma especie de mistura entre Jet Set Radio e Crackdown. Divertido do principio ao fim, e deixa vontade para mais. Espero que venha uma sequela. Ainda maior, mais espectacular e inteligente como este.


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