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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O vinho Português na China


Deparei-me com esta notícia do Correio da Manha durante esta manhã enquanto lia as noticias nacionais através do Twitter. É sobre o esforço da exportação de vinhos portugueses para a China.



Bem, já agora, a minha opinião sobre a problemática da exportação de vinho português para a China, ou qualquer outro produto alimentar, até certo nível:


O problema da venda do vinho portugues na China é a percepção. Ou neste caso, falta dela. Para o chinês comum (e para a maioria daqueles na elite também), Portugal é sinónimo de futebol. Só! 

Bons vinhos estrangeiros são associados a França e Itália. Espanha por vezes. Só! Portugal nunca entra nas contas. 

Para além disso, a vasta generalidade dos chineses não percebe absolutamente nada de vinhos, e está (estão?) totalmente absorta em relação à qualidade, sabores e expectativas associadas a um "bom vinho". Tenho dito aliás muitas vezes que hoje em dia, vários vinhos chineses baratos são perfeitamente aceitaveis em qualidade quando directamente comparados com algumas propostas estrangeiras que são vendidades ao quadruplo do preço (ou mais) nas superficies comerciais locais. Mas para a maioria, o vinho estrangeiro e mais caro será sempre indiscutivelmente melhor. É aliás interessante observar o complexo de inferioridade alimentado pelos próprios chineses em relação a algumas facetas do seu país, da sua economia, dos seus produtos e da sua sociedade. Complexo de inferioridade esse muitas vezes contrariado pela percepção ocidental, enquanto que em outros aspectos, alimentam um fervoroso e irrealista complexo de superioridade. Mas essa é outra conversa...

Portanto, vender vinho na China tem muito pouco a ver com qualidade, e quase tudo a ver com percepção e estereótipos. Surge então a questão elementar: como mudar esta percepção? 

Explicar e dizer que os vinhos portugueses são bons (que o são! Dos melhores do Mundo, sem dúvida) não é suficiente. É aliás quase irrelevante, e quase totalmente inconsequente.
Devido aos condicionalismos sociais, educacionais, politicos, históricos e geográficos da China, criou-se uma certa mentalidade "insular", sino-cêntrica e geralmente ignorante em relação ao resto do Mundo, alimentada quase totalmente de estereótipos culturais.
Ou seja, os franceses serão sempre romanticos e charmosos, os americanos sempre "awesome e open-minded", os sul americanos sempre festivos, os africanos todos pretos e pobres, os alemães sempre fortes e eficientes, etc e tal. E os portugueses? Futebol.

Atendendo e tendo noção deste superficionalismo cultural e procurando capitalizar no reconhecimento que nos está intrinsecamente associado, talvez não fosse então má ideia associar o vinho português aos nossos mais famosos desportistas.
É fácil prever a reacção de indignação e repúdia dos mais puristas e daqueles que tentam preservar um certo estatuto de exclusão elitista separatista entre a alta graça e requinte do vinho nacional, e a reputação xunga e parola do tipico jogador de futebol. Mas!, procura-se aqui uma resolução pragmática, e de negócio.

Trata-se apenas da minha opinião, e da minha perspectiva. Estou convencido que muitos daqueles que trabalham no sector vinicola (na China, ou fora dela) poderão ter uma opinião bastante diferente.
Não estou também a dizer que esta é a única estratégia possivel para melhorar a prestação dos vinhos portugueses na China. Mas, assim de repente, esta parece-me a solução mais simples.
FYI, eu não sou grande apreciador de vinhos. Bebo muito raramente. Em ocasiões sociais de coiso que tal, ou sou capaz de guardar uma garrafita em casa para momentos em que "pode ser que dê jeito". Mas não muito mais que isso.

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