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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

White House Down


Muito gosta o Roland Emmerich de rebentar com a Casa Branca!

Hoje em dia com o Estado-Policial que se vive nos EUA onde putos são presos por escreverem comentários com ameaças terroristas irónicas no Facebook, é de admirar que um imigrante alemão com comprovado fascínio pela destruição do Mundo e dos Estados Unidos em particular ainda não esteja a apodrecer numa qualquer cela obscura de Guantánamo. Por muito menos outros lá estão.

White House Down. Nem sei porque estou a escrever sobre este filme. É em todos os aspectos um Die Hard. É aquilo que o último Die Hard deveria ter sido, mas nem por isso é um filme particularmente bom ou interessante. "Filme de sábado à tarde", se tal coisa ainda existisse ou se ainda vivêssemos todos em 1998 a passar os nossos afogados sábados à tarde a ver televisão.

O filme começa logo muito mal com uma sequência que envolve 3 helicópteros desenhados em horrível e mal amanhado CGI a sobrevoar os monumentos maçónicos da capital norte-americana. Logo desde a primeira cena levamos uma chapada de poupança em efeitos especiais, que se prolonga por todo o filme até ao final. Todas as cenas que envolvem helicópteros - (outra das obsessões de Emmerich: helicópteros a explodir), incluindo uma hilariante em que 3 (mais uma vez) Black Hawks se envolvem num rally voador pelas ruas de Washington - , ou veículos em cenas de acção são realizadas recorrendo a um dos piores CGI de que há memória, inundando o filme com um fedor insuportável a videojogo de meados dos anos 90. É vómito visual, puro e duro.

De resto, temos o típico argumento Americano panfletista de propaganda pró-Democrata (o partido) pejado de valores religiosos conservadores e neo-liberalismo intelectual de fazer chorar um cão no cio com uma infecção renal em que Obama (interpretado por Jamie Fox) é representado como um anjo na Terra, cheio de boas intenções e com aquela atitude "black-cool-dude" que lhe valeu a vitória nas primeiras eleições mas que agora já enjoa e se torna insuportável, de tão cínica e hipócrita que é. Tal como a América actual e a sua esfera de influencias politicas e económicas, White House Down é um filme com os seus valores todos trocados e que num futuro não muito distante servirá sem dúvida de risota geral para um serão de pipocas regadas a tinto.

Mas, resulta. O filme é divertido, e não aborrece muito. Tal como disse, é, sem tirar nem pôr, um Die Hard. Um hard-copy de todos os filmes de acção realizados por Hollywood que envolvem um herói improvável "having a bad day" que se vê envolvido no centro de uma crise qualquer e acaba por utilizar o seu treino militar para salvar o dia...e o país...e o Mundo. Todos os chavões e tropes do género estão aqui, tudo é ultra-previsível, não faltando o sempre comichoso "oh não ele levou um tiro no coração e morreu! Não...espera! Ele está vivo, porque tal como foi explicado nos primeiros 10 minutos do filme, ele guarda no bolso interior do seu casaco, junto do seu coração, um objecto duro e desconfortável cheio de valor sentimental capaz de o proteger de um tiro à queima roupa! Sim, o impacto da bala foi suficiente para ele tombar inconsciente e fazer crer a toda a gente que tinha morrido com uma prolongada pausa dramática. Mas quando já todos se estavam a afastar da cena, heis que se levanta o defunto (a quem ninguém verificou os sinais vitais), a música conhece um súbito crescendo de glória, e o dito do cujo manda uma one-liner foleira para anunciar o seu regresso. Palmas e sorrisos!". Nojo.

Vilões idiotas e pouco carismáticos também cá andam, e no fundo nada faz muito sentido. Mas...até é divertido. E por ser divertido e um razoável filme de acção, perdoa-se em grande parte muitas das suas traquinices imbecis. Se não tiverem amor ao dinheiro (e serão melhores pessoas se não associarem valores como o amor ao vosso dinheiro) e não houver mais nada para fazerem, então ide ver White House Down. Correrias, muitos tiros e mortes, explosões e efeitos especiais de antes-de-ontem. Falta de gore e um argumento que defende claramente uma certa agenda política. É isto que vos espera. Mas lembrem-se...por cada vez que pensarem "Este Jamie Fox/Obama é mesmo um presidente fixe!", estão a morrer 3 crianças no Iémen ou no Paquistão vitimas de ataques de drones da administração Obama.


*Sim, eu também tenho a minha agenda.

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