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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Binary Domain



É geralmente aceite que um dos géneros que mais marca e marcou esta geração de consolas é o third-person shooter. Se falarmos de tendências, acho que os FPS marcaram mais o ciclo passado - das 128 bits - do que o presente, no sentido em que foi aí que se implementaram em força nas consolas caseiras. Com o "atraso" de Halo 3 para benzer a Xbox 360, recaiu sobre Gears of War a responsabilidade de espetar bandeira em novo solo, tornando-se pelo caminho no novo benchmark do género TPS ("third-person shooter") e cover shooter em particular. Se ignorarmos o fenómeno Call of Duty (e é preciso atirar muita areia contra os olhos para o ignorar...mas vamos fingir que sim), os jogos de acção na terceira pessoa foram, parece-me, o género que conduziu o comboio de desenvolvimento nos últimos sete anos.

É também geralmente aceite que os estúdios ocidentais (e americanos em particular) estão na vanguarda da produção deste género e que os japoneses ficaram irremediavelmente para trás. Para trás tanto no desenvolvimento de motores de jogo suficientemente ricos, como também na implementação de elementos de jogabilidade sólidos e funcionais. Jogos como Quantom Theory, da Tecmo, podem ser utilizados como exemplo. Por outro lado, e dando crédito a quem o merece, foram os japoneses quem praticamente inventaram o género, e em particular a Namco, com o clássico Time Crisis (tecnicamente o primeiro shooter com cover system) e mais tarde com Kill.Switch para a Playstation 2.

Mas será justa e verdadeira esta ideia que os estúdios japoneses não têm muito jeito para jogos de acção na terceira pessoa, e que continuam a apanhar migalhas para entrar no ritmo? Não me parece! Senão vejamos dois exemplos que julgo serem muito pertinentes e incontornáveis: Lost Planet e Vanquish. Lost Planet, para os mais esquecidos e para aqueles que apenas entraram nesta geração de consolas a meio, foi e continua a ser um dos melhores jogos de acção e aventura disponíveis! As críticas aquando do seu lançamento foram boas, e as vendas superaram as expectativas, tendo-se tornado num dos primeiros jogos a ultrapassar a marca de um milhão de unidades vendidas na 360. Ainda mais admirável tendo em conta que foi editado no início do ano. Conclusão, bom TPS japonês, da Capcom. 
Vanquish, da Platinum Games, é, quanto a mim, provavelmente o melhor jogo de acção desta geração. Puro e simplesmente. E dele já aqui tinha falado...
Se quisermos, podemos até incluir Resident Evil 5, também da Capcom...mas isso já seria um esticanço. Outros exemplos existem, mas apenas estes dois, para mim, já servem perfeitamente para provar que os japoneses além de não terem ficado na retaguarda do desenvolvimento, mantiveram-se até na vanguarda em muitos aspectos!

Cain e Faye Lee. O ultra-carismático robô francês, e a muito bem escrita personagem de uma agente especial chinesa.

A estes dois, podemos agora também juntar Binary Domain, da Sega. É dele que quero falar...

Dizer que Binary Domain me surpreendeu, é um understatement do caraças! Tinha o pressentimento que as críticas, apesar de boazinhas, não lhe tinham feito total justiça, e por isso o queria experimentar. Mas não estava preparado para o quão bom é, e o quanto me marcou como experiência! Falar do porquê sem entrar em spoilers, é difícil, mas tentarei. Sou apologista que um jogo, mesmo com jogabilidade quebrada, pode ser excelente e tornar-se numa referência, desde que tudo o resto o sustente de forma a motivar o utilizador a progredir na acção e assistir ao desenrolar da obra em toda a sua extensão. Ou seja, se a história e "ambiente" forem bem realizados ao ponto de me fazer esquecer a jogabilidade core menos que perfeita, tudo bem! É o caso de Binary Domain.

Na base temos o tal jogo de acção na terceira pessoa com cover-system, muito à lá Gears. Nada de especial, embora altamente funcional, eficaz, e sempre divertido. Muito mais importante (na minha opinião) é a temática do jogo e a sua abordagem: The rise of the robots!!! Essa eternamente presente ameaça da ficção cientifica. À primeira vista Binary Domain poderá parecer um desinteressante clone e rip-off de Terminator e obras semelhantes...e é, de certo modo. No entanto, acrescenta-lhe uma camada de complexidade e profundidade que raramente vemos no género. Binary Domain é um jogo muito esperto, e deixa-se sofrer no início de propósito para que o jogador pense que todos os twists e clichés que se adivinham são previsíveis. Mas heis (e é aqui que não posso entrar em pormenores para não mergulhar em spoilers) que Binary Domain de facto surpreende e tem alguns dos melhores twists narrativos num videojogo desde Star Wars KOTOR! Sim, mesmo. Não estou a exagerar! Não estou a dizer que estão ao nível DO twist de KOTOR, mas estão a um nível altíssimo também (quem não jogou KOTOR nem deveria estar a ler isto, já agora...).
Claro que nem só de twists pode viver um jogo, longe disso! Esta obra da Sega inova sobretudo na forma como introduz questões éticas, étnicas, sociais, filosóficas e morais no seu argumento. É algo a que não estamos habituados, e que irá certamente mexer com os sentimentos e valores do jogador. Para atingir isso, o jogo apenas exige paciência, que se aguente até ao seu final. Só nos últimos capítulos as cortinas começam a cair e a verdadeira excelência de Binary Domain se torna evidente. Para que tudo funcione, o jogo assegura-se de construir muito bem algumas das personagens chave do elenco, tornando por isso os desenlaces finais particularmente bem conseguidos e tocantes.

Para mim, uma referência máxima do género! Um daqueles jogos que levam a redutora designação de "videojogo" mais além, e numa direcção ambiciosa que só pode ser aplaudida. Pena que este, tal como outros (Vanquish por exemplo), não alcance grande sucesso comercial. Mas enfim...

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