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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Resistance 3



Começo por dizer que Resistante 2 foi/é muito melhor que a conclusão da trilogia. 

Um dos problemas de Resistance 3 encontra-se precisamente no seu estatuto de "conclusão" da trilogia, que falha por completo. A história é muito mal contada, muito mal escrita, e repleta de personagens tão complexas e profundas como o fundo de um copo de Coca-Cola do Mcdonalds. Se a premissa do primeiro Resistance era muito interessante (invasão extraterrestre substitui a Segunda Guerra Mundial na História da Humanidade, e por aí fora...), a mesma foi perdendo fulgor e capacidade de se afirmar com cada jogo novo da série, incluindo o Resistance da PSP, que também joguei.

Ficam muitas pontas soltas por contar e explicar. Demasiadas! Demasiados "como?" e "porquê?" que são simplesmente ignorados. As personagens estão constantemente a tomar decisões suicidas e completamente absurdas que impedem por completo a imersão com o que estamos a "viver" no ecrã. Em Resistance 3 somos meros peões onde por acaso estamos a controlar as marionetas, mas estas, apesar de não terem cérebro, é que decidem para onde vão e o que fazer, restando a nós apenas suspirar e seguir em frente pelo "corredor”.

O outro principal problema de Resistance 3 é o design do jogo. Incrivelmente datado e derivativo. Derivativo de todos os FPS dos últimos 10 anos, mas em particular de Halo (o primeiro!) e de Half-Life 2. Lá temos nós pelo meio um nível de terror (demasiado comprido e que desgasta por completo as suas boas-vindas) inacreditavelmente parecido com o de Half-Life 2, e depois lá para o final temos os sempre presentes corredores metálicos e salas simétricas nas instalações do inimigo, tal como acontece em Halo. A própria direcção do jogo é por demais cliché e desinspirada: começamos com níveis em locais abertos e com algum espaço, e acabamos (como quase sempre neste tipo de jogos!) dentro de uma instalação qualquer futurística em que a dada altura o nosso aliado retardado mental que nos faz companhia se lembra e diz (como sempre!) "Hey! Este lugar de certeza que precisa de muita energia para funcionar! O gerador principal deve estar exactamente na ponta oposta de onde nós nos encontramos! Bora lá fazer grinding por 150 andares e 749 salas iguais repletas de inimigos clonados dos seus primos para depois podermos fazer explodir o gerador e finalmente conseguir sair do edifício à risca enquanto tudo explode à nossa volta!". BORA! Esta descrição pareceu-vos cansativa? A execução é ainda mais, e sofrível de tão previsível que é.

Já não há paciência para este tipo de jogos. Resistance 3 consegue ser divertido, tem bem aspecto, e uma excelente banda sonora (há que dizer). Eu terminei a campanha toda, por isso não há nada de terrivelmente mau e estragado com o jogo. Mas, já não há paciência para isto! E se eu soubesse o que sei agora, provavelmente nem teria iniciado este terceiro Resistance. Puro e simplesmente existem demasiados momentos que nos atiram, com muita força, para aquela condicionante de "ok, não ligues...isto é apenas um jogo". E para mim isto é inaceitável! A desculpa do "isto é só um jogo" já morreu, ou pelo menos deveria apenas sobreviver nos jogos mais casuais e "simples", e não nestas grandes obras de elevados valores de produção e que servem de bandeira à respectiva consola. 

A Insomniac Games (produtora da série) disse que este seria o último Resistante, e que já arrumaram com a série. Não é que eu queira que eles produzam uma continuação, mas não me parece que possam dizer que já terminaram o seu trabalho de queixo levantado e com orgulho. Para mim pelo menos, Resistance 3 será recordado como uma das piores conclusões de uma trilogia de sempre! A nível de argumento e narrativa. Não consigo compreender como puderam realizar isto e pensar que estaria bem assim...

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