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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Heavenly Sword


Mais vale tarde do que nunca, já dizia o poeta. E o profeta.

Apesar de já datar de 2007, só agora me disponibilizei para experimentar Heavenly Sword, da Ninja Theory. Curto, compacto, intenso do princípio ao fim e com uma apresentação estupenda e brilhante, rendi-me completamente à história épica de Nariko e ao seu universo. É deste tipo de jogos que eu gosto!

Arrependo-te de nunca ter escrito sobre Enslaved: Odissey to the West, também da Ninja Theory, mas lançado mais tarde que Heavenly Sword. Arrependo-me porque Enslaved é para mim um dos melhores jogos desta geração de consolas (talvez no top 5 mesmo), e uma obra que me arrebatou por completo com as suas personagens, a execução dramática e a história que se revela na sua conclusão como uma das melhores e mais bem contadas de sempre neste meio artístico.


Flying Fox. Excêntrico e fabuloso. Vilão que se ama!

Falo de Enslaved porque o "ADN" da Ninja Theory, como pude agora confirmar com Heavenly Sword, é evidente em ambos os títulos de forma inconfundível. É um estúdio que privilegia a apresentação de histórias e narrativas acima de tudo, e que constrói personagens como em mais nenhum outro jogo se consegue encontrar. Independentemente da jogabilidade ser ou não ser particularmente divertida, a Ninja Theory consegue  agarrar-me através da empatia que cria entre as personagens e o jogador (neste caso, comigo). Para muitos jogadores, esta vocação de apresentação (não me refiro ao ponto de vista técnico) em detrimento da jogabilidade não é suficiente, e é até muitas vezes apontada como um imperdoável aspecto negativo num jogo, onde para a maioria ainda se espera que a vertente "jogo" de um videojogo seja prioritizada. Mas eu tendo cada vez mais a preferir títulos que me consigam seduzir pela sua capacidade artística do que apenas pelas suas mecânicas. Como exemplo, não gosto de God of War. Nunca gostei. Sempre achei os God of War desinteressantes. Mas não porque fossem maus jogos, apenas porque o universo e personagens apresentadas não "me dizem" nada. Já Heavenly Sword, que tem um sistema de combate provavelmente menos requintado que o de GoW, prende-me sem dificuldade nenhuma pelas razões que já descrevi em cima. Outro exemplo, já agora: também nunca gostei de Devil May Cry. No entanto, e sabendo que o próximo DmC está a ser produzido pela Ninja Theory, posso dizer que é um dos jogos que com mais ansiedade aguardo neste momento! Porque eu sei que vai ter o tal "ADN" do estúdio, que tanto me seduz.

Mas chega de desvios de conversa. Falando concretamente de Heavenly Sword, como já ficou bem claro, gostei muito! Tem secções por vezes demasiado frustrantes e irritantes, e o sistema de combate nem sempre responde como é devido ou soa demasiado aleatório. A inclusão forçada de certas combos que requerem a utilização do sensor de movimentos do comando são escusadas, e denunciam claramente a origem do jogo no início de vida da Playstation 3 (embora controlar setas e balas de canhão por este meio seja muito divertido e viciante). 
Ainda assim, tudo o que está "à volta" da jogabilidade compensa largamente todos os defeitos presentes, pois a vontade de progredir e ver o que irá acontecer é tão grande que ignoramos tudo o resto. As cutscenes são deliciosas, em particular aquelas com os vilões, que são geniais e ultra carismáticos! Tanto nas suas personalidades, como nas animações físicas e faciais e na escrita de diálogos, ver as cutscenes em que os vilões de Heavenly Sword estão presentes é das melhores recompensas que se pode ter hoje em dia num videojogo. A tecnologia utilizada (e aperfeiçoada para Enslaved) e o trabalho dos actores é notável! Muito para além do típico "bom trabalho de vozes", aqui temos um excelente trabalho de actores, ao nível do que melhor se pode ver no cinema ou numa boa série de televisão!
A Ninja Theory consegue realizar algo que é muito (muito!) raro no meio dos videojogos: personagens com que nos conseguimos relacionar a nível emocional - personagens "reais", que gostamos e a quem damos importância.

Por fim, resta-me dar os parabéns à banda sonora, belíssima e muito criativa. Mistura o som "típico" de uma grande orquestra (é tocada pela Orquestra Filarmónica de Praga, nem mais) com sons exóticos de batidas rítmicas e melódicas que, embora pouco usuais, dão um sabor especial aos momentos mais memoráveis do jogo. E acima de tudo, fogem às faixas cliché super épicas que normalmente inundam este "tipo" de obras.


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