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sábado, 3 de dezembro de 2011

A Pele Onde Eu Vivo



Para todos aqueles que procuram experiências de cinema mais exóticas e extremas, a última década ficou vincadamente marcada pela onda de "cinema coreano de vingança". Com os seus ex-libris demarcados na, e entre, a trilogia Vengeance de Park Chan-wook (Sympathy for Mr Vengeance; Oldboy; Sympathy for Lady Vengeance), passando ainda por outros menos conhecidos como o Bittersweet Life de Kim Ji-woon ou o seu mais recente I Saw the Devil, entre outros. Foi um fenómeno que conseguiu transbordar fronteiras e alcançar cinéfilos mais ou menos atentos em todo o mundo. Foi também um fenómeno com o qual a produção cinematográfica ocidental nunca conseguiu lidar. O potencial era (e é) tremendo e evidente, mas a formula embora muito gráfica e de contornos grotescos, abriga também demasiados simbolismos e sensibilidades estéticas e culturais que são praticamente impossíveis de traduzir para o cinema convencional anglo-saxónico. E foi por isso, que para além de rumores de alguns remakes americanos, o tal fenómeno ficou e continua a estar contido na sua Coreia do Sul.

Ou pelo menos assim era até agora...

Chega Pedro Almodóvar assim do nada como quem não quer a coisa, e além de reformular a receita do cinema coreano de vingança, consegue ainda expandir o "género" com o seu A Pele Onde Eu Vivo. Extraordinário!

O filme é longo (talvez demasiado), denso, escusadamente pouco linear, sem artifícios em demasia, mas resulta. Resulta como um trabalho original, único, chocante e completamente imprevisível - não só no contexto da obra de Almodovar, mas do dito "cinema europeu" em geral. Contornos transformistas de Mary Shelley, um sombreado e dissimulador síndrome de Estocolmo e uma constante vingança destruidora que cria e produz algo mais que o devido...
Falar mais seria entrar em spoilers, e temo que mesmo assim já terei dito demasiado. Mas parece-me que esta é a receita aqui em acção que permite expandir e de certo modo reestruturar o tal "cinema de vingança". 

Acima de tudo, é um filme inovador e que consegue genuinamente surpreender. Não no sentido clássico de surpresa narrativa (plot twist!), mas sim pela sua forma, apresentação, ritmo e escrita. E por ser tamanha brisa de ar fresco, é bom! É um bom filme. Ainda assim o molde pode ser muito melhorado e trabalhado por outros no futuro. Mas lá está...já se perderá muita da originalidade e surpresa...



PS: A comparação com o cinema coreano é estritamente pessoal. Não faço a mínima ideia se Almodóvar já viu ou não os filmes que referi. E tão pouco importa.

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