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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Assim é o Amor ~ Beginners



Existe esta injusta tendência para esquecer Ewan McGregor quando se fala dos melhores actores da sua geração (seja ela qual for). A verdade é que o ex-Jedi faz parte daquele grupo de actores ultra-versateis capazes de interpretar qualquer personagem e infiltrar-se em praticamente qualquer filme sem que nos demos bem conta como nem quando. É bom sinal...é sinal que é bom actor e que consegue encarnar personagens com credibilidade sem sobrepôr a sua persona sobre o argumento que tem de trabalhar. Mas é injusto que não se dê mais crédito a Ewan McGregor, pois, parece-me, é um dos actores com mais carisma da actualidade mas que, paradoxalmente, consegue ser quase invisivel e passar despercebido dos maiores alaridos do "mundo das estrelas".

Enfim, tudo isto para dizer que também em Assim é o Amor Ewan McGregor se presta à excelencia e mostra que é capaz de calçar praticamente qualquer tipo de papel que lhe atirem para cima. Sorte a nossa  para além disso, Assim é o Amor também é um excelente filme! 

Uma espécie de Lost in Translation sem auxilio de tanta banda sonora a maquilhar a cena, mas que é tanto ou mais eficaz que a obra de Sofia Coppola a transmitir a angoisse de vivre* que se tornou em mais uma patologia de luxo que apenas as gerações privilegiadas do mundo desenvolvido têm tempo para sofrer (releiam agora a frase mais devagarinho. Faz sentido).
Um filme belíssimo, que tem tanto de feliz como de depressivamente triste. Um drama portanto. Não particularmente original (já se fez isto muitas vezes, e no cinema asiático então encontram-se imensos exemplos), mas muito bem feito! E isso é que interessa, que seja bem feito. 

Uma pérola rara a não perder. Em particular nesta altura em que as salas de cinema nacionais estão, literalmente, entupidas de excremento cinematográfico sem salvação à vista (sério, este era o único filme em cartaz que eu poderia arriscar ir ver neste momento, apesar de não saber nada sobre ele antes de entrar na sala. Mas ainda bem que fui).

Dizem as bocas finas que este já está meio orientado para os Oscares. Não me admira. Tem o tipo de apelo indie-intelectual, mas "fácil", capaz de agradar ao mais pseudo cinéfilo como ao mais casual "moviegoer". E não há que lhe apontar o dedo por isso. É o que é, é um filme muito bom. Tomara que fossem todos pelo menos assim...


*Não, não é pra traduzir. Só para admitir que usei uma expressão catita francesa numa "critica" de cinema, e percebo as implicações que isso....implica.

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