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domingo, 4 de setembro de 2011

Arthur & Hall Pass


Final do verão. Começa a inevitável vaga depressiva que afunda a sociedade. Sobrevivemos num pais em que as pessoas vivem com muita intensidade e entusiasmo dois meses seguidos de escaldões e risco de cancro de pele triplicado. O snowboard e caipirinhas na neve é algo que não assiste à latinada lusitana, e portanto ou se vai dar um salto ao Brasil durante o Natal (talvez até a Natal), ou são mais 10 meses seguidos de regresso à realidade, com créditos à partida desnecessários para pagar e sonhos recalcados de side-boobs escondidas nas memórias do querido mês de Agosto (aliás, "agosto" agora com o acordo ortográfico. E já que se falou no Brasil...).

Enquanto se afasta a tentação de encostar a lamina aos pulsos e se suspira por mais uma temporada de Morangos com Açucar em que nenhum jovem portugues representado é capaz de dizer uma caralhada que seja, procuram-se artifícios capazes de preencher as noites torradas que antecipam a chegada do Outono (lá pra Novembro). Salta-se para as redes sociais e pedem-se sugestões de filmes para ver. Um filme que não custe a ver, mais especificamente. Que se possa ver com o cérebro desligado e a boca aberta a comer salsichas directamente da lata. 
O pessoal dá sugestões, e depois o outro pessoal que pedia por sugestões dá-se conta que estava a pedir sugestões para filmes que não tinha. Ora decide-se e escolhe e finalmente dá-se mais uma bananada de realidade na cabeça e percebe-se que agora é preciso pôr o filme a sacar. Maior parte das vezes nesta altura a vontade e motivação para ver o filme já passou. Se não, põe-se então a sacar. E mais tarde, enquanto se esperava pelo download, já a baba vai a escorrer pelo canto do sofá depois de 4 horas de sono profundo a ter pesadelos com aquele filme de 1997 com o Alec Baldwin que acabou de dar na RTP1 que toda a gente já viu mas ninguém consegue identificar.
O filme sacado? Fica na pasta dos downloads para "quando apetecer". Claro que quando a vontade de ver um filme voltar a surgir numa noite próxima, a disposição já não vai ser a adequada para ver aquele que se sacou. Então saca-se outro e repete-se o processo. Ad qualquer coisa latim que significa até ao infinito...

Felizmente eu não sofro inteiramente de todo este problemático processo. Sim, também por vezes me apetece ver um filme em que eu possa estar em modo zombie enquanto assisto. E sim, eu saco um torresmo qualquer que me pareça...indicado para a ocasião. Heis dois bons exemplos recentes. Aproveitem!
(sim, eu sei que só tu realmente leste tudo isto até aqui. Por isso olha, agora mais vale leres o resto também, né?)


Arthur! Um remake qualquer de um filme qualquer de um ano qualquer que todos os criticos de cinema fingem conhecer muito bem para poderem comparar mas que eu puro e simplesmente nunca ouvi falar. Ainda assim poderia perfeitamente dizer que o original é insondavelmente superior e toda a gente acreditaria que eu tinha visto os dois e estava a ser sincero. Mas não sou assim...(e sim, hoje estou numa de não usar virgulas)

Surpreende-me, já que referi os críticos, as criticas tão negativas que este filme teve. Digo já que gostei e arruma-se o assunto. 
O filme chama-se Arthur mas talvez fosse mais sincero se se chamasse Russel Brand. E tudo bem, é assumidamente Russel Brand e funciona muito bem assim! Sim, é um Russel Brand mais...brando (see what I did there?), que não pode puxar ao calão nem à piada mais explicita. Mas ainda assim é Russel Brand, e fujam daqui todos os cínicos, o homem é hilariante e tem dos mais inteligentes e perspicazes sentidos de humor que por aí andam! Sim, é um poser, aparentemente superficial e que explora até à exaustão a sua imagem e atitude de gajo rebelde e libertino. Mas tem o direito! E isto porque quando ele abre a boca tanto seduz gajas como gajos. O improviso, a capacidade de debitar piadas rapidíssimas de improviso e tão incisivas "in the spot" (e é mesmo natural dele, e isso pode-se verificar em entrevistas e aparições publicas), fazem com que eu pelo menos, não me canse deste gajo.

O filme em si....enfim, não há razão para falar do filme em si. Pelo menos não de uma perspectiva tradicional de analise da narrativa e tudo o mais. Tudo isto é uma enorme teatrada de Russel Brand, e quem não achar piada e não se rir, das duas uma: ou não consegue ultrapassar a imagem enganosamente superficial do homem, ou então não tem capacidade (que é mesmo assim) para acompanhar toda a correria de palavras e referencias que ele é capaz de lançar em praticamente todas as linhas de diálogo que debita.

Ou seja, querem ver uma comédia light mas com um artista inteligente a mandar comédia também inteligente? Então vejam Arthur, se ainda não viram.


Passando para a segunda sugestão, que acabei de ver agora mesmo antes de começar a escrever esta monstruosidade de texto, temos o Hall Pass. Com Owen Wilson e Jason Sudeikis (porque não referir, já agora?).

Mais uma boa surpresa! Caraças, há que admitir que por vezes queremos é ver um filme destes, e Hall Pass acaba por ser, sem exageros, perfeito para se ver numa daquelas noites sem nada para fazer. E não só perfeito por não ofender, mas sim porque é uma comédia genuinamente boa.
Ao contrário de Arthur, que é considerado um filme familiar, este Hall Pass pisa o risco para território mais explicito e gráfico. Ou seja, sim, aparece o ding-ding-dong. O vulgo emancipar do homem que tem comichão a calças. A homenagem à fonte fálica da vida (subtil). É aliás moda hoje em dia: se antigamente um filme que se queria para maiores de 16 e mais "forte" tinha que ter pelo menos quatro pares de mamas a atropelarem-se por lugar na tela, hoje em dia pelos vistos atirar com pénis para a frente dos nossos olhos tornou-se no novo estandarte do filme que se quer "sacaninha" e mais "politicamente incorrecto" (again, see what Idid there?).

Mas não são as aparições mais gráficas que fazem de Hall Pass uma boa comédia (ou pelo menos não só). Na verdade o que faz deste filme tão bom é a inclusão de The Knife e Empire of the Sun na banda sonora! Sim, dois dos meus actos musicais favoritos num só filme! Gostei muito disso, e comigo esse tipo de contactos preferenciais mais pessoais funcionam muito bem (sou fácil, eu sei). 
Mas estou a brincar. Não é só pela banda sonora que gostei do filme. Gostei porque...tem piada! Porque é porreiro, porque, outra vez, tem piada e está bem escrito. Tem boas interpretações dos actores (nem a Christina Applegate mete nojo aqui!) e não é a tipica comédia com contornos lamechas e previsíveis. Há aqui muito espaço para a ambiguidade e, consequentemente, algum realismo acrescentado. Mas gostei sobretudo porque tem piada. E estar a explicar porque é que uma comédia tem piada é como estar a pisar no pedal da embraiagem para puxar o travão de mão (isto não fez sentido). É inconsequente.

Seja como for, quando não tiverem nada para ver e vos apetecer ver qualquer coisa, vejam um destes dois. Ou então o Odisseia no Espaço: 2001. Vocês é que sabem!

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