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quarta-feira, 20 de julho de 2011

The Girlfriend Experience


Que bela surpresa.

Talvez tenha sido do reconfortante café que tinha acabado de beber. Ou então por culpa da correria a que me submeti para chegar à sessão a tempo. Mas quando me sentei na cadeira, qual sofá improvisado, estava num tal estado de leveza, conforto e contentação, que me comecei logo a sentir levado e imerso com os primeiros frames de The Girlfriend Experience. "É esta a maravilha do cinema!", pensei. Aquele "vou ali, já volto" que se sussurra ao mundo quando estamos prestes a entrar numa sala de cinema e deixamos a nossa vida à porta em stand-by. É este prazer, acima de tudo, que me faz ainda hoje em dia ir ao cinema. E com este filme de Soderbergh a aconchegar as almofadas sensoriais, o resultado é pleno e perfeito.

Isto tudo para dizer que eu estava no "estado" perfeito para ver um filme como este Girlfriend Experience ("Confissões de uma namorada de serviço" em português), e talvez por isso tenha gostado tanto, contra a maioria das opiniões e criticas que se fizeram aquando da estreia nos Estados Unidos. Talvez noutro dia, com outra disposição, com um olhar mais critico e cínico eu teria tido outra apreciação. Mas hoje, era mesmo isto que precisava, e adorei! Ainda assim, vou arriscar e dizer que o filme é genuinamente bom! Muito bom até!

Com uma composição narrativa não linear, mas muito fácil de absorver, a experiência vai-se compondo gradualmente com um estilo sempre cativante e interessante. Destaca-se a edição, perfeita! Todo o filme quanto a mim é edição. Enfim, talvez não todo, obviamente, mas trata-se de um perfeito exemplo de como a edição pode de facto fazer ou quebrar um filme. Neste caso fez dele algo de primoroso.
Também ao som tenho que dar aplausos: excelente! As musicas utilizadas, os momentos em que são empregues, a naturalidade com que surgem e se dissipam...tudo perfeito. E, lá está, é também o trabalho de edição que ajuda a exaltar ainda mais a integração da musica no filme.

The Girlfriend Experience surge como um olhar original e refrescante (embora datado, já que decorre durante o ultimo período eleitoral americano em que Obama foi eleito) à crise económica mundial dos últimos anos. É original porque fá-lo de forma quase indirecta, através das suas improváveis personagens - uma escort de luxo e o seu namorado, um instrutor de fitness com uma postura bastante liberal face à relação de ambos - mas quase sempre com o tema por baixo do nariz. 
Sasha Grey, se é ou não boa actriz (de cinema convencional), não o sei realmente dizer. Mas sei que está perfeita para o papel que desempenha neste filme. Fria, pragmática, cautelosa, calculista, inteligente e com um tom de voz e postura desconcertantes e em constante equilíbrio neutro e pouco expressivo, surge assim uma personagem que nos agarra (tal como "agarra" os seus clientes), sem nos apercebermos muito bem quando nem porquê. Digam o que disserem da rapariga, por mim, gostaria de a ver em mais filmes e a ter ainda mais oportunidades em Hollywood. Tem carisma, sem duvida.

The Girlfriend Experience acaba por se revelar uma enorme surpresa. Não esperava muito...aliás, nao esperava nada. Acho que do filme apenas conhecia o poster e os comentários que as personagens da série Entourage teceram em alguns episódios sobre a fita e a sua infame protagonista. Com o rolar dos crédito, vi-me perfeitamente satisfeito! Um final feliz que concretizou um filme que me embalou do principio ao fim sem nunca deslargar, e eu a adorar cada momento. Venham que críticos quiserem, mas para mim este Soderbergh é um tiro certeiro, perfeito.

1 comentário:

Anónimo disse...

Adorei o teu artigo Daniel ~ . A vida é cheia de surpresas!!! Continua com a boa escrita.(CrisTina)