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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Velocidade Furiosa 5

Pode parecer que não, mas acho que existe grande mérito na série de filmes Velocidade Furiosa. Apesar de num espaço de 10 anos terem sido feitos 5 filmes, a verdade é que as sequelas nunca se manifestaram como apressadas e lançadas à pressão. Existiu sempre um razoável e refrescante intervalo entre cada peça, e, pessoalmente, eu diria até que não se pode dizer que algum dos filmes seja mau! Ok, o quarto é sem duvida o pior deles todos...o mais desinteressante, oco, vazio, inconsequente, e aquele que a maioria das pessoas já nem se lembram. Mas no geral construiu-se uma coerente e firme saga de filmes que vieram colmatar (quase sem ninguém se dar conta disso ao ponto de o comentar exaustivamente) a ausência de filmes do género de perseguição automóvel (car porn no fundo) que tanto proliferaram nos anos 70 e faziam sentir a sua influencia em muitos filmes dos anos 80.

É verdade que Velocidade Furiosa se introduziu graças à moda do tuning e companhias, e graças a isso ganhou imediatamente um rotulo de "azeite galo" do cinema e foi estigmatizado como um filme para parolos. Consequentemente isso levou a que nenhum pseudo-intelectual ou critico de cinema se aproximasse da coisa e muito menos fosse capaz de admitir que no fim de contas, ver carros potentes a roncar a altos berros e a mandar picanços ao som de reggaeton até era bem divertido e enchia as medidas de quem ia ao cinema pelo puro deleite visual e sensorial do automobilismo atestado ao litro por pura testosterona!

O tempo passou, e a moda do tuning desvaneceu, mas a série continuou e fez crescer o seu universo de personagens que a principio eram bastante quadradas e bidimensionais, mas que hoje em dia já se apresentam bastante trabalhadas e com amplo carácter ambíguo. O cenário também foi mudando, assim como as motivações e motores narrativos que fizeram a acção desenrolar-se. A terceira iteração, Tokyo Drift, foi a primeira grande tentativa de refrescar a série, e embora muita gente não se tenha conseguido identificar com este filme, para mim continua a ser o melhor de todos! Tokyo Drift desmarca-se dos restantes filmes também no seu espaço temporal, já que cronologicamente, continua a ser a ultima estória da saga (a acção desenrola-se ainda depois deste Velocidade Furiosa 5), como fica bem evidente com a presença da personagem Han em VF5 que (Spoiler Alert!) tinha morrido em Tokyo Drift (End of Spoiler!). Este descontinuar temporal, embora interessante, lança uma série de problemas de (in)coerência, nomeadamente a nível de tecnologias (gadgets, modelos de carros, etc) presentes nos filmes, que claramente os produtores não planearam nem pensaram muito no assunto. Mas não sejamos picuinhas, afinal de contas não se tratam de obras de culto super sérias e realistas. 

E já agora, porque não, falar em concreto deste mais recente Velocidade Furiosa, porque sem querer distraí-me e pus-me a escrever uma dissertação sobre a série, o que não era de todo o meu objectivo inicial.

Ok então, começando pelo mais importante...sim, gostei do filme! É o que é, e satisfaz plenamente no que se compromete a fazer, que é dar-nos um novo Velocidade Furiosa com muitos carros, muitas stunts e acrobacias, acidentes, acção, comédia de rolha e algum drama aqui e ali. E neste caso em particular, tudo temperado com um desejado e novo sabor: Rio de Janeiro!

O Rio de Janeiro está muito na moda hoje em dia. Desde que a "máquina" de Hollywood e a industria dos videojogos descobriram a cidade que não a conseguem largar! Em filmes e videojogos (Modern Warfare 2, Max Payne 3...), o Rio está, definitivamente, no radar dos americanos. Agora resta esperar para ver até onde conseguirão explorar esta localização antes que comece a fartar toda a gente...
Mas por enquanto não farta, e adequa-se muito bem ao ambiente de Velocidade Furiosa. Para nós portugueses o brinde é a dobrar, e a imersão é ainda maior, já que estamos mais ou menos familiarizados com a realidade brasileira e a sua icónica cidade. As referencias a Portugal estão lá (para o regalo daqueles imbecis que quando estão numa sala de cinema e surge um sinal de Portugal num filme são incapazes de não apontar pró ecrã e gritar bem alto "OLHA TÃO A FALAR DE PORTUGAL, lololol") e, para grande surpresa minha que não fazia a mínima ideia, temos o nosso Joaquim de Almeida (d'Almeida?) num muito activo e presente papel, o do vilão principal nem mais - grande kingpin do crime organizado da droga e corrupção na cidade!

Ainda para os ouvidos e sensibilidades dos espectadores portugueses (e brasileiros claro), temos também vários actores a representar personagens brasileiras mas que claramente não são brasileiros (os actores), resultando em diálogos sofríveis e idióticos que mais parecem vir de um espanhol a tentar falar português do Brasil (provavelmente será mesmo esse o caso).

Mas deixando de lado as paisagens e particularidades sociais e culturais, falemos mas é do que interessa, dos carros, dos vrums vrums...da velocidade furiosa e do filme em si.

Bem, a estrutura continua a ser a mesma de sempre e aí não há surpresas. Para quem está habituado à série, já sabe o que esperar do principio ao fim. O que não quer dizer que este quinto episódio não se evidencie dos restantes pela positiva. Aliás, é provavelmente o meu favorito desde o Tokyo Drift. Mas, tal como esse, e desde essa altura, os produtores continuam a insistir em introduzir um gimmick prá corrida final. Em Tokyo Drift era o próprio drift, que funcionava bem e era realista e coerente com o universo presente. No quarto filme é que a coisa já foi muito pior, com aqueles aborrecidos sprints dentro de túneis claustrofóbicos repletos de pilares "assassinos" (isto é aliás uma das razoes porque desgosto tanto desse filme, já que essas cenas eram quase todas realizadas em CGI, o que estragava completamente a sensação de imersão com a acção). E agora neste VF5 temos o gimmick do cofre gigante! Não julgo estar a spoilar ninguém já que o trailer revela bastante da acção final do filme, a "ultima perseguição". Neste caso temos dois carros a correr a alta velocidade pelas ruas do Rio de Janeiro enquanto rebocam, através de cabos, um cofre enorme que certamente pesará umas boas toneladas. Pelo caminho destroem meia cidade (com o dito cofre) e muito provavelmente assassinam umas boas dezenas de pessoas (embora o filme tente sempre passar a mensagem que os inocentes saem sempre ilesos). Ora esta sequência, além de bastante exagerada e irrealista, acaba por  desiludir aqueles que, tal como eu, queriam realmente uma boa perseguição final old-school, sem fantochadas. Nem tudo é mau, já que apesar de haver muito CGI pelo meio (obviamente...um cofre gigante a passear pelo Rio e a destruir tudo à sua passagem), há também muito trabalho de condução real, stunts à antiga, carros reais a ficarem genuinamente despedaçados...e toda a sequência, embora irrealista, é muito bem filmada e construída. Portanto, acaba por satisfazer.

O filme não se resume à sequência final, e apesar de tudo não estou a julgar só tendo isso em conta. Tal como eu disse antes, gostei do filme, e do principio ao fim nunca me aborreci nem nunca me senti fretado. Que fique bem claro, para aquilo a que se propõe, Velocidade Furiosa 5 é bastante bom! Um bom filme! E se alguém discordar, é porque provavelmente foi ver ao engano a pensar que iria ver alguma coisa de Polanski, Benigni, Woody Allen ou o raio que os parta! Velocidade Furiosa não tenta enganar ninguém em nenhum momento. Desde o seu marketing e promoção, até ao casting seleccionado e toda a obra finalizada. Portanto quem vier com criticas que se trata de um filme vazio, parolo e as tiradas do costume, só se estará a enganar a si próprio e a revelar as suas próprias limitações e graves deficiências de julgamento, controlo de expectativas e análise do objecto em questão. É a minha opinião.

Para finalizar, quero apenas comentar um fenómeno que assola todos os filmes deste género e tipo (percebam o que quero dizer com isso), que é a "cena da cerveja gay", como eu lhe chamo.
A cerveja gay é aquela cena de drama lamechas entre dois machões que acontece, irremediavelmente, sempre pelo menos uma vez neste tipo de filmes. E o processo é sempre o mesmo: depois de uma sequência de acção em que as personagens principais tiveram as suas vidas em risco, os heróis regressam finalmente ao seu abrigo. Estando os mais frágeis (família, amigos...depende do filme) dentro do abrigo (uma casa normalmente), os machões de serviço saem prá rua com uma garrafa de cerveja na mão para descontrair um bocado e reflectir sobre a vida. Normalmente à porta de casa, ou numa varanda...no jardim...sentados no telhado...enfim, vocês já estão a imaginar. E é aqui que o efeito da cerveja gay entra em acção, induzindo os badass do filme a, por instantes, baixarem as defesas e terem uma conversa superficialmente profunda sobre a vida, sobre o seu futuro, sobre as suas carências emocionais, daddy issues, traumas de infância, e por aí fora...
Esta cena acontece também neste Velocidade Furiosa, como é óbvio, e é de bradar aos céus!! É aquele momento em que se rebolam os olhos até já não se poder mais...é aquele momento em que percebemos que se estão a queimar cinco minutos de fita só pra encher chouriços quando deveríamos estar a ver acção e cenas mais entusiasmantes. É aquela cena que não serve absolutamente para nada, e que a mim me faz realmente pensar que aquelas cervejas (são sempre cervejas! Em todos os filmes! Reparem nisso) têm ali um pózinho qualquer que altera o estado psíquico de quem as bebe para um estado de passageira mariquice. 


E pronto é isto. Eu realmente sou completamente maluco da cabeça para escrever tanto sobre isto. E afinal acabei por nem escrever nada de jeito. Peço desculpa, sinceramente. Mas é que comecei e depois fartei-me. E quando assim é, no meu caso, em vez de cortar logo com a coisa e concluir, ponho-me a engonhar e a engonhar e a escrever mais e mais vazio. Oh, estão a ver? Lá ia eu outra vez...

PS: Nem falei das sequências de acção com tiroteios nas favelas e das perseguições a pé. Da tendência muito mais bélica deste filme em relação aos anteriores. Do "perfume" a Tropa de Elite...
Está tudo muito porreiro por acaso. Pronto. Desculpem lá este artigo... não me orgulho.

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