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terça-feira, 31 de maio de 2011

The Tree of Life


Não imaginam a quantidade de maus filmes que eu tenho visto ultimamente! Uns piores que outros, mas a verdade é que ultimamente, mais que em qualquer outra altura, tenho sido surpreendido e enganado por uma enxurrada de maus filmes como nunca antes me tinha acontecido. Filmes que eu penso, enquanto os vejo, "epá odiei esta porra! Vou escrever a dizer bué de mal disto mal chegar a casa!". Mas depois acabo por nem escrever com falta de paciência. E ainda bem... mantém-se aqui o espaço mais limpo e arrumado.


Foi por isso com grande alivio e satisfação que quando começaram a rolar os créditos finais de The Tree of Life, eu pude pensar, "ah...sim, este foi especial! Este gostei!". Mas no fundo também nao gostei muito. Passo a explicar...

O filme é lindo! É visualmente espectacular! Tem momentos que não se produziam no cinema desde o Odisseia no Espaço de Kubrick! Momentos que nos encostam à cadeira, e lá vamos nós completamente imersos numa belíssima viagem em que se tenta atravessar a vida em toda a sua imensa escala, e apaixonante detalhe e pormenor. Prodigioso!
Temos poesia em imagem, fotografia sempre coerente e bem sintonizada, que se consegue manter fresca e entusiasmante durante toda a duração da película. Temos um Brad Pitt que é, como quase sempre, enorme! Um actor que preenche imensas paginas de revistas cor de rosa todos os dias, mas que quando chega ao momento de participar num novo filme, consegue dar vida própria a qualquer personagem que represente como muito poucos actores actualmente conseguem.
E temos, acima de tudo, um divertidissimo e muito trabalhoso exercicio de edição que é, ao fim e ao cabo, o aspecto que dá todo o carácter ao filme, e que lhe impõe um ritmo invulgar mas muito bem realizado - nunca a constante contemplação e reflexão cinematográfica foi representada de forma tão energética, rápida e imparável! Por vezes torna-se comichoso...quase chato...mas em geral aguenta-se bem do principio ao fim, e há que dar o mérito por isso, por se manter fiel a si próprio sem medo e sem compromissos.

Por outro lado, temos a faceta menos "apreciável" de Tree of Life. Este é provavelmente o filme mais pretensioso e indulgente dos ultimos anos, tendo sempre presente uma visão muito pessoal e bem consciente e presente em toda a linha. Isto fez-me torcer um bocado o nariz e faz-me ficar de pé um pouco atrás. Mas na apreciação final desculpa-se. Afinal de contas temos aqui um filme raro...muito raro! Daqueles ovnis cinematográficos que tão raramente se conseguem impor no cenário mainstream como este o faz (graças ao seu realizador e actores envolvidos, sobretudo). Não é que não se produzam muitos filmes invulgares ao longo dos tempos, mas são muito poucos aqueles que, como este, terão certamente uma audiência e exposição deste tamanho. Ou seja, é bom saber que muita gente irá ver Tree of Life e ficar embasbacado com o que vê! Seja por achar uma brutal seca (será certamente para muitos) ou por considera-lo como um dos melhores e mais marcantes filmes das suas vidas (no meu caso não é nem uma coisa nem outra.).

Enfim, vão lá ver The Tree of Life que vale a pena. Mas tem que ser no cinema!! Sim, este é daqueles que se tem que ver no cinema...

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