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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Morning Glory



Eu, como muita gente que se vê sujeita a este tipo de experiências, gosto de evidenciar aquela coisa horrível que infesta a grande maioria da produção cinematográfica actual, que é o romance metido a ferros. 

Meninos, deixem-me que vos fale dum lindo filme que anda por aí (por aí...), chamado Morning Glory, e que contém um romance metido a ferros daqueles que são lá enfiados por uma grua enferrujada resgatada dum cemitério industrial do Bangladesh para onde foi enviada depois de se ter avariado durante a remoção dos escombros do 11 de Setembro!
Este é o mais evidente, e provavelmente enervante, problema de Morning Glory. O mais irritante? A protagonista do filme. Não, nem me dou ao trabalho de ir pesquisar o seu nome nem quem é exactamente. Que o façam vocês se vos apetecer. Eu já tive de a aturar durante cerca de hora e meia e juro que nunca mais. Se voltar a ver um poster, um trailer, ou seja que pedaço de promoção for para um filme que contenha esta menina, eu fujo imediatamente na direcção oposta até não poder mais! E nem a passagem por uma tasca de kebabs me fará travar!

Ok, Morning Glory (ou no seu tão ternurento e propicio a inuendos titulo português 'Manhas Gloriosas') é portanto a enxurrada de clichés e formulas genéricas utilizadas e mais que exploradas em todas as comédias pseudo românticas xico-espertas da máquina de Hollywood, ainda com o acrescento da banda sonora mais sofrível, básica e retardada de sempre (dói! Fisicamente mesmo... dói!). E eu deveria estar preparado para isso, sei que sim. Mas a verdade é que o filme (o trailer promocional) me enganou, fazendo-me pensar que o protagonista seria o grande Harrison Ford, e não uma gaja qualquer que deve ter sido expulsa duma escola de ballet moscovita e resolveu tentar a sorte na representação. 

Falemos então de Harrison Ford...a fazer um dos maiores fretes da sua carreira. O que neste caso até se torna bastante cómico e interessante (não irónico!) já que a sua personagem está precisamente a imitar a sua carreira na vida real, apenas com outra profissão. Temos então um lendário (legendário, diriam alguns) e multi premiado jornalista/reporter/pivot do circuito informativo da televisão americana com mais de 40 anos de carreira que se vê, subitamente, forçado a aceitar a posição de co-apresentador de um medíocre programa matinal (não são todos? ahahahah....). A partir daí sucedem-se as gags esperadas do "velho Imperador" resmungão constantemente fora da sua zona de conforto, até que....sim, eu disse que isto era um batido de clichés. Tentem lá adivinhar.

De ponta a ponta temos um filme constrangedor (pelas piores razoes), enervante, aborrecido, com muito pouca piada (a meio ainda se metem num esquema á lá Ice Age a fazer lembrar o bicho da bolota, com sketches aleatórios do comic relief do elenco que ainda conseguem sacar algumas gargalhadas...envergonhadas), totalmente previsível (não que isso interesse, neste caso) e que segue o habitual esquema da montanha-russa, subindo e descendo entre momentos de entusiasmo e esperança, e outros de mau agouro e frustração. Mas sim, tudo acaba bem no final, com um delicioso dialogo sobre um exame à próstata. Sério.

Atenção, apesar de tudo, e apesar de estar a fazer grande frete (como já tem vindo a fazer alguns), Harrison Ford, consegue ainda assim justificar o agoniante tempo perdido com este filme. O homem, quanto a mim, é uma daquelas figuras maiores que a vida! E não há vergonha nenhuma em ver um filme destes só porque conta com a sua presença. Não é é uma daquelas coisas que nos devemos gabar, mas pronto. E ás tantas o melhor é mesmo ver o filme sozinho, sem mais ninguém saber.

PS: A frase que que aparece no poster, "Breakfast TV just got interesting"...só apetece dizer, Not Really!

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