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terça-feira, 22 de março de 2011

MicMacs à tire-larigot

Finalmente (finalmente!!) em exibição em Portugal, o mais recente filme de Jean-Pierre Jeunet, MicMacs à tire-larigot.

Este filme engana. Engana porque é de Jean-Pierra Jeunet (Fabuloso Destino de Amélie), e cada vez que se vê um filme deste realizador, espera-se que surja mais um clássico de culto do calibre do Amélie. Não acontece com este MicMacs. Engana também porque o inicio do filme, o verdadeiro inicio até começarem os créditos iniciais, é fabuloso!! Perfeito mesmo! Sentado na cadeira de cinema comecei a sentir aquele formigueiro que me dizia "SIM! Este é muito bom!! Quando esta sessão acabar vou regressar a casa com mais um brutalissimo filme na cabeça". Mas não foi bem assim...

Não enevoando mais o julgamento final, digo já que gostei muito deste MicMacs mas que ao mesmo tempo me deixou um bocado de pé atrás. É um filme brilhante, e, no verdadeiro sentido das palavras, lindo e bonito. Mas tem um gravíssimo problema de ritmo! Começa muito bem (como já disse), mas depois lá pró meio começa-se a espalhar e fica a impressão que não sabe muito bem que direcção seguir. E depois acaba  muito bem, pra compensar.
Mas trata-se de um filme de Jeunet, e o seu cinema, o seu toque único e inimitável (alguns já tentaram e falharam sempre, miseravelmente) acaba por salvar todo o pacote, e temos assim, mais uma vez, uma obra singular de cinema teatral onde a encenação super pormenorizada e estilizada dá umas boas cacetadas nos limites do cinema comercial mantendo-se ainda assim com ar de alta produção cinematográfica que esticaria os bolsos e cofres do tradicional estúdio de Hollywood.
As personagens bizarras que se introduzem e fazem-se reais e coerentes em meia dúzia de planos estão cá também, mostrando esta capacidade incrível do cineasta francês para criar micro-universos disfuncionais e distorcidos que habitam o espaço comum de todos nós de forma harmoniosa e credível, apesar de toda a invulgaridade. Quase que parece fácil...mas quanto a mim isto revela um toque de génio que só Jeunet consegue transpor para a tela. Uma linguagem própria! É isto que o realizador cria em cada um dos seus filmes, e o publico aprende a interpreta-la perfeitamente em muito pouco tempo. Fascinante.

E o resto já se sabe...é o brilharete do costume: banda sonora hipnotizante que utiliza e suga todos fios de tradicionalismo francês da área mas ainda assim conseguindo sempre apresentar algo de original e pujante. O argumento rebuscado ao fundo da toca do coelho de Alice, e uma comédia sempre tão primorosa, tão querida, e tão tipicamente francesa, tanto na sua expressão mais física, como nos seus imensos trocadilhos e piadinhas subliminares que só quem domina a língua de Baudelaire poderá entender completamente.

A falta de ritmo a meio do filme faz-se sentir, ainda assim! E nega o estatuto de clássico de culto a este MicMacs. É um bom filme, mas que poderia ser excelente! E disso, fiquei com muita pena...

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