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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

LUNA PARK

Por vezes surgem aquelas obras que, apesar de lhe retirar-mos prazer desde o inicio, atingem um momento muito especifico em que subitamente se percebe o que estamos a experienciar...faz click! E a partir daí percebemos, sem margem para duvidas, que se trata de algo muito poderoso e de alta qualidade.
No caso de Luna Park (novela gráfica), este momento de revelação surge numa só vinheta, e concentra-se ao longo de não mais que duas página. E é (foi para mim pelo menos) tremendamente arrepiante! Não se trata de um twist ou duma simples revelação da narrativa, mas sim de algo que mexe profundamente connosco e que faz todo o sentido. E mais extraordinariamente ainda, que não se foi acusando nem deixando revelar ao longo do livro. Isto, é raro! Não é todos os dias que me deparo com algo assim, e é por isso que considero Luna Park como uma obra prodigiosa.

Uma leitura intensa e pesada, que não se deslarga nem cede a tentações. Luna Park não é pra qualquer pessoa (digo isto sem qualquer tipo de presunção, por favor), nem é pra qualquer momento. Felizmente tive oportunidade de o ler todo de ponta a ponta duma só vez (cerca de duas horas), mas apesar de se tratar de um comic relativamente "magro" em páginas, a sua intensidade levará muita gente que o leia a fazer várias pausas. E justifica-se.

Luna Park desenha-se e caminha por uma linha que mistura um realismo muito cruel e verídico com uma intensa malha de surrealismo soporífico de contornos psicotrópicos. Tudo isto sempre carregando um intenso sabor a inevitável tragédia e orientando-se por uma frustrada luta de redenção pessoal. Não é, no entanto, óbvio nem previsível (e por isso fui tão especifico no que disse sem temer o spoiler), e a mensagem é, afinal, de todos e universal.

E assim acontece com muitas das melhores obras que se realizam (seja em que arte for)...a mensagem é universal.

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