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sábado, 15 de janeiro de 2011

TRON: Legacy


Superou as minhas expectativas!

Muito eu hesitei antes de ir ver este filme, por duas razões. Primeiro, porque é em 3D, e depois de ter visto o Avatar eu comprometi-me a boicotar tudo o que fosse 3D (já me expliquei acerca disso aqui, e aqui) - abri uma muito extraordinária excepção pra este Tron, mas de resto, mantenho o meu boicote. 
Segundo, porque as criticas a este Tron Legacy eram mistas e pautadas por extremos. Por um lado tinhamos (temos) os criticos pseudo intelectuais que rebaixam o filme por ser acima de tudo uma experiencia visual repleta de artifícios com pouco conteudo mais profundo. Por outro lado, temos os fanboys cegos completamente hypados que nao se calam com o filme e acham que é a melhor coisa do mundo só porque tem os Daft Punk a produzirem a banda sonora e porque tem uns visuais todos catitas. Quem tem afinal razão? Quanto a mim, nenhum dos lados, e ambos sao extremamente irritantes e podem ir morrer ao pinhal novo.

Tron é uma experiencia sensorial de longo alcance. É um espectaculo que deve ser apreciado com o mindset apropriado e sem expectativas distorcidas e mal direccionadas. Estamos a falar de um filme que tem, imperativamente!, de ser visto no cinema! De outra forma não faz sentido. Ou melhor, faz sempre sentido reve-lo mais tarde numa televisão, mas deixar passar a oportunidade de o ver no grande ecrã é daqueles pecados culturais que muito provavelmente causará um enorme sentimento de arrependimento e frustração no futuro.
Lamenta-se o 3D, que apesar de supostamente ser a coisa mais xpto de sempre cheio de tecnologia de ponta (uma geração à frente da tecnologia utilizada em Avatar, afirmam os envolvidos), para mim continua a ser sobretudo uma grande distracção completamente escusada. Uma ferramenta para aumentar os preços dos bilhetes e consequentemente os resultados do box-office. Não acrescenta nada ao filme e até lhe retira algum brilho, literalmente. Sim, porque caso ainda não tenham reparado, as lentes dos óculos 3D são bastante escuras, e isso transparece na visualização. Por vezes, enquanto via Tron, eu lá baixava um bocado a cabeça para espreitar o ecrã por cima dos óculos, e pensava cá pra mim, "Fogo! As cores são bué de intensas e brilhantes! Mas com este empecilho na cara perde-se muito do efeito". Ou seja, uma porcaria isto do 3D, e um mal necessário que temos de aturar de forma a poder ver o filme como deve ser visto, num grande ecrã de cinema.

Mas estava a dizer que Tron é uma experiencia sensorial...e é isso mesmo. Sim, existe todo o culto da história que segue o fio do primeiro filme, e as personagens até sao interessantes (a interpretada por Olivia Wilde surpreendeu-me imenso, pela positiva) e o argumento não procura escavacar mais que aquilo que a pá lhe permite...mas que não hajam enganos, vai-se ver Tron pelo puro espectáculo visual e sonoro do filme. E não há absolutamente nada de errado com isso! Este é um espéctaculo unico, sem comparação no mundo da 7ª arte, e só por isso, pela experiencia, merece ser visto por toda a gente.
Quem tiver outras pretensões estará a defraudar-se a si próprio e a ser vitima da sua própria ingenuidade.

E porque eu sou também um grande fã de longa data dos Daft Punk, falemos da banda sonora e da sua integração no filme. 
A colectânea de sons e musicas originais criadas pelo duo francês para Tron é, intrinsecamente, excelente! Poderosíssima banda sonora, que se faz sentir do principio ao fim e que transporta, e transforma, todo o filme ao longo da sua duração. Um triunfo indiscutível, que não só corresponde ao hype criado nos últimos meses, como em muitos momentos o supera gloriosamente! Ainda assim, não entremos em demasiadas euforias, pois apesar da excelência, tudo isto é muito derivativo de Blade Runner e, porque não, Mass Effect. Agrada muito, mas não surpreende por aí além. O que neste caso não é mau porque o trabalho está magnificamente executado.
Mas no melhor pano cai a mancha, e é com enorme frustração que se verifica que o trabalho dos Daft Punk nem sempre é bem implementado no filme, nem sempre está bem sincronizado, e é por vezes até desperdiçado em algumas cenas. Se por um lado a electrónica sinfónica dos dois compositores consegue içar cenas relativamente banais a patamares quase transcendentes de emoção, também acontecem momentos em que a acção no ecrã é demasiado medíocre e mal executada ao ponto de desperdiçar o excelente acompanhamento sonoro que a envolve (sem entrar em spoilers, estou a falar em particular da cena em que a já popular faixa Derezzed é utilizada). Seja como for, temos uma excelente banda sonora, e Tron será relembrado no futuro tanto pelo filme em si, como pela sua componente musical. É um desses casos raros, e isto no bom sentido, atenção.

Conclusão (nem falei muito sobre o filme, mas vamos lá despachar isto), gostei! Tenho que dar a mão à palmatória e admitir que Tron Legacy superou, grandemente, as minhas expectativas. É raro hoje em dia um filme me surpreender e entusiasmar pelo puro espectaculo visual, mas Tron conseguiu isso mesmo. Admito que tenho tendência a ser algo cínico (de forma genuína e sinceramente pessoal) e a chamada "experiência blockbuster" de cinema tende a aborrecer-me, mas Tron possui uma certa sensibilidade artística que transcende o seu estatuto de "filme que tem que superar a barreira dos 300 milhões de dólares pra ser considerado um sucesso". Foi produzido e realizado pelas pessoas certas e de forma correcta, com a mentalidade e visão adequadas para o que se pretendia. Não é perfeito, nem é um filme muito muito bom, mas é uma soberba experiência que sem duvida toda a gente deveria aproveitar no cinema.

E claro, para os fãs de Daft Punk, o bónus é evidente e o momento é preenchido por inúmeras delicias. Os arrepios de nuca são constantes e muito prolongados. No inicio do filme, quando entra esta faixa, se não começarem a sentir uma enorme comichão e prazer, então o melhor é logo se levantarem e deixarem a sala, porque estão no sitio errado.

Acho que fui um bocado tendencioso na escolha de imagens...

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