Deixem o vosso e-mail para receber notificações de novos artigos...e ganhar brindes

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Turista

Chato, chato, CHATO!
O filme começa aborrecido, com uma série de sequências que pretendem transmitir um ambiente de perseguição para agarrar o espectador. Mas logo aí falta ritmo. "Normal", pensa-se; é o inicio do filme, as personagens e a acção estão a ser apresentadas, e isto não tarda nada começa realmente! Mas não, o filme nunca "começa realmente", e o que temos é uma experiência esquecível, confortavelmente penosa (não ofende nem não dá vontade de sair da sala, mas também nunca consegue justificar a nossa entrada) de cinema medíocre e argumento (esse sim!) ofensivamente banal.
Recorda-se o poster promocional do filme. Nele lêem-se os nomes e vêem-se os rostos de Angelina Jolie e Johnny Depp e percebe-se que tudo se resume a isso mesmo - duas pessoas muito famosas que, emparelhadas, irão certamente atrair quantidade de gente suficiente ás salas de cinema para fazerem render a película. Sucesso. Resultou comigo, tenho de admitir.

A impressão que fica (e que deverá estar muito próxima da realidade), é que tanto Depp como Angelina resolveram ir de férias prá Europa e, enquanto lá (cá) estavam os seus agentes terão telefonado a propor um filmezito com os dois a protagonistas. Nada de muito exigente...nada que fosse ocupar mais que umas horinhas nos intervalos dos seus passeios turísticos pessoais. Ambos concordaram, e, sem grande esforço ou motivação, lá se filmaram umas sequências de Angelina a passear por Paris e Veneza, e de Depp também lá ás voltas e a mandar umas quantas linhas de diálogo de baixo relevo sem qualquer tipo de impacto. O único trabalho sério e esforçado calhou à edição e operadores de câmera pra focarem sobretudo a cara de Angelina, desviando as atenções dum corpo esquelético que é uma sombra do que se via nos tempos de Tomb Raider, e que nao facilita nada o trabalho ao pessoal do marketing do filme. Deambula por lá a carinha laroca de femme fatale, sedutora quanto baste (peca por excesso, quanto a mim), agarrada a um corpo incompreensível que quer a todo o custo não ficar demasiado tempo em frente da objectiva. Coisas de Hollywood...
Ela, Angelina Jolie, interpreta assim uma personagem aborrecida, desinteressante, e bastante irritante a espaços. Ele, Johnny Depp, é igualmente aborrecido e desinteressante, mas consegue apesar de tudo manter-se tolerável, e nunca irritante. Leva ele a melhor nota portanto.

A estória do filme, a narrativa, argumento...são maus! Chato, foleiro, previsível, entediante, comichoso...hmm, que mais? Sim é isso, resumidamente. O que até nem seria muito mau (relativamente, dentro do quadro geral do filme), se não fosse pelo twist que decidiram enfiar a ferros no final, que de tão triste e antecipadamente denunciado que é, quase que dá pena. É aquele twist extremamente óbvio, fácil e seguro, mas que ofende e irrita por ser apresentado como se de um grande feito se tratasse e como se fosse surpreender toda a gente na plateia. Imagina-se o argumentista a escrever o guião e a pensar, esfregando as mãos de contentamento, nesta surpresa final donde tira um grande coelho mágico da cartola sem ninguém perceber onde ele estava. O problema, é que qualquer pessoa minimamente inteligente começa a notar, a partir de meio do filme, que a cartola do argumentista estava a verter fezes e urina num buraco que tinha no fundo, provavelmente feito à dentada por algum roedor...

Que mais se pode dizer sobre este Turista?....Já falei sobre a banda sonora (sonoplastia prós mais pseudo-sofisticados)? Não? Nem vale a pena. Totalmente deslocada do filme, da sua acção e das suas personagens, só lá está a incomodar e a fazer-se notar pelas piores razões. Só o facto de se notar tanto é por si só, neste caso, o pior sinal. Não se percebe. E menos ainda se percebe quando o filme acaba e começam a rolar os créditos finais. Parece que o realizador, como prenda de natal, chegou ao pé do sobrinho de 9 anos e lhe disse, "Vá, escolhe lá uma música que gostes e eu prometo que a meto a abrir os créditos finais do meu próximo filme." - isto no Natal de 2008...hoje em dia o sobrinho já tem 11 anos e até ele percebe que o seu tio não tem juízo nenhum e que a música, além de datada, não tem nada a ver com o filme.

Não se compreende este filme. É mau, mas é difícil decidir se é um dos piores filmes que alguma vez vi no cinema, ou se é apenas um dos mais inconsequentes e insignificantes. Também não consigo decidir qual destas posições serviria de melhor elogio à película...

Não se percebe também quem são afinal os turistas. As personagens do filme, ou nós espectadores que fomos levados numa daquelas expedições manhosas só pra turistas ingénuos em que se prometem ver grandes e fascinantes monumentos e afinal quando lá chegamos, e depois de ter aturado uma viagem de hora e meia num autocarro sem suspensões e com um irritante guia a recitar poesia celta, chega-se ao local e encontram-se ruínas todas podres e uma maquina de refrigerantes avariada ao lado dum burro esfomeado atado a uma árvore.
É por isso que eu prefiro sempre viajar sozinho e de forma independente.

Sem comentários: