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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mammuth

Provavelmente terei de começar a vestir uma camisola ás riscas horizontais pretas e brancas, envergar um chapéu à Picasso e enfiar umas luvas brancas sempre que vier escrever aqui pró blog. Isto dada a recente frequência com que escrevo sobre filmes franceses que tenho visto no cinema…

Mammuth acabou por ser um filme bastante diferente daquilo que esperava depois de ter visto o trailer. Trata-se de um “típico” filmes francês (interpretem como quiserem) que quer ao mesmo tempo ser bastante conceptual e estilizado. Mas aqui falha…ou pelo menos sai um bocado curto na sua tentativa. É demasiado derivativo…lê-se em algumas cenas um certo cinema de Sofia Coppola (os pseudos vão-me atirar dardos cuspidos com ranho de sapos venenosos por causa desta observação!), noutras transparece uma clara estética e direcção artística que nos remete imediatamente para a grande vaga do cinema independente asiático do inicio deste século  (japonês e sul coreano especificamente) - na figura da personagem feminina  (excelente performance de Isabelle Adjani, como quase sempre) mas sobretudo no plano fotográfico das cenas mais contemplativas e nos ameaçar de sinopses curtas e não complexas/confusas -, e ao longo de todo o filme, e de forma muito explicita, parece haver uma forte inspiração na obra The Wrestler. Isto é por demais evidente na própria caracterização de Gérard Depardieu e na forma como a camera muitas vezes o acompanha à retaguarda, ficando o publico com o plano das suas costas e longos cabelos (tal como foi feito com Mickey Rourke).

Tudo isto não é necessariamente mau, até porque está bem feito. Simplesmente torna-se um bocado distrativo estar a ver um filme enquanto ao mesmo tempo começamos automaticamente (e obviamente) a compara-lo com outros trabalhos.

O filme é bom! Aliás, é bastante bom, uma óptima experiência de cinema, perceba-se. O típico (e sempre espectacular, quanto a mim) humor francês está presente ao longo de toda a película  e acciona fortes e genuínas gargalhadas em quem está a ver.

Depardieu tem um desempenho também muito interessante e cativante. Fisicamente pronto a retomar o seu papel de Obélix, e interpretando uma personagem pesadíssima que se deixa tão facilmente voar, este é um papel que surpreende e que coloca o actor francês numa zona em que poucas vezes o vemos (enfim…também não vou fingir que conheço ao pormenor toda a sua carreira).

Espécie de road-trip emocional e nostálgica de reencarnação pessoal, Mammuth acaba por ser um filme muito agradável e que recomendo sem hesitação. Não se concretiza em pleno como pretende, e fica por vezes a sensação que estamos a assistir a um rascunho (já muito trabalhado e elaborado) de algo mais que poderia ser, onde a experiência final se completa e se concretiza, ainda assim, por força da mente e imaginação do espectador. O que não falta certamente é a capacidade de encanto e de surpreender quem está a ver com cenas e situações altamente inesperadas.
Poderá ser visto como um grande triunfo dum certo ponto de vista, ou apenas algo incompleto. Dependerá de cada um que o vir, parece-me. Eu gostei, muito. E fiquei a pensar no filme durante bastante tempo depois de ter deixado a sala, e isso é sempre bom sinal.

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