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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Scott Pilgrim vs. The World



Muito se fala hoje em dia dos filmes que definem uma geração e/ou que resumem em si a essência de um determinado espaço de tempo. The Social Network é o mais recente exemplo que tem sido quase unanimemente aclamado como um desses filmes (gostei do filme, e sobre ele mais não comento por agora), mas se me perguntarem a mim, Scott Pilgrim vs the World está muito mais próximo de ser o verdadeiro marco de cinema que define uma geração (duas ou três até se quisermos) e todo o efervescer de cultura pop que se impregnou nos últimos 10 anos! Scott Pilgrim funciona tão bem como filme ritual de iniciação como grande obra de consagração de uma cultura, de uma mentalidade, duma grande tribo social que são as pessoas que vivem, respiram e transpiram o pulsar da internet, dos videojogos, do fast-editing e da ironia nonsence que só funciona se for feita e levada com muita seriedade. Ou seja, NÓS. Nós que fazemos parte do já gigante e mais ou menos influente grupo dos geek mainstream, as esponjas da cultura pop que tudo absorvem e tudo conhecem de trás prá frente, mas que quase tudo rejeitam e têm na sua personalidade extremamente selectiva, ponderada e pró-alternativa os seus traços mais característicos que nos mantêm ainda separados da omnipresente maior "sociedade familiar" que rege ainda muitos dos principais pilares do nosso mundo. A diferença entre nós e "eles", é que nós temos noção da nossa existência e vivemos quase que numa espécie de nuvem a observar o mundo "real" e castanho dos "analógicos crónicamente desinformados"; temos perfeita noção da existência das duas culturas, dos dois mundos. Já eles, não fazem a mínima ideia de quem nós somos e não têm maneira nenhuma de perceber e compreender aquilo que nós fazemos, gostamos e pensamos (da mesma forma que se estiver a ler isto e não perceber...é um "deles").

E é por isso que irão existir dois tipos de pessoas com dois tipos de reacção a ver Scott Pilgrim. Eles irão retirar deste filme uma enorme embrulhada de fantasia, cor, luz, nonsence, cenas aleatórias, brincadeiras e palhaçadas (tal como ouvi das bocas d'alguns espectadores no final da projecção do filme no Estoril Film Fest). Uns irão gostar, outros não. Mas uma coisa é certa, não irão compreender o que acabaram de ver. É impossível! Não possuiem as referencias para tal.
Já nós, iremos ver um filme que é (e odeio a expressão que se segue de tão abusivamente utilizada que é, mas se existe ocasião pra utiliza-la, é agora!) uma autentica e tremenda pedrada no charco! Um descortinar, um aplauso e um reconhecimento formal e artístico da nossa existência e do nosso lugar na sociedade contemporânea! Um obra que na sua enorme e incontrolável exuberância, consegue realizar a mestria de se manter formidavelmente coerente e sólida do principio ao fim. Sem cedências, sem conformalismos, e sobretudo sem facilitismos. 
Sim, porque muita coisa poderia ter corrido mal com a formula de Scott Pilgrim...muita coisa poderia ter sido mal realizada e produzida e muito facilmente todo este trabalho poderia ter resultado em algo muito mau e oco, repleto de sketches pseudo-cómicos sem graça e fáceis e cenas de acção tão over-the-top que se tornariam aborrecidas. Ou seja, o que eu quero dizer é que este Scott Pilgrim tinha um enorme potencial para se tornar numa espécie de Dragon Ball live action, e pra quem já viu a adaptação de Dragon Ball á "imagem real"...bem, acho que percebem (medo). Mas felizmente não foi isso que aconteceu, e o que temos aqui é de facto espectacular e genuinamente BOM!


Mas será Scott Pilgrim realmente um filme que define uma geração? No fundo, não. Não porque infelizmente existe ainda um grande e perturbador desnível intelectual e de mentalidades entre as pessoas da mesma geração. E isto é sobretudo evidente em países onde os medias tradicionais direccionam e estabelecem ainda as principais tendências e referencias da sociedade, inclusive nos mais jovens. Países como Portugal portanto, onde a "cultura da internet" e do digital existe, mas ainda num espectro muito alternativo e resguardado (elitista e proibitivo até), e onde as massas ainda só agora começam a aderir em força ao seu universo, ainda que a um nível extremamente superficial e facilmente influenciável (Facebook, etc. Ou seja...daqui por 5 ou 10 anos começam a descobrir o 4chan e tudo isso).
Nesse sentido Scott Pilgrim é apesar de tudo um grande filme de nicho com enorme potencial comercial, dada a tendência dos tais "desinformados" seguirem tudo o que são luzinhas brilhantes e muito barulho. E havendo muito barulho à volta do filme (que há!...mais ou menos), o que acontece é que muita gente que não tem absolutamente nada a ver com o universo e conceito da obra acaba mesmo por ir ver. E depois segue-se a confusão e incerteza (mas isto sou eu a ser talvez demasiado presunçoso e arrogante).

Mas todo este comentário é no fundo muito derivador, e mais uma observação social do que ao filme propriamente dito. 
Já deixei mais ou menos claro que gostei do filme, e seria demasiado fácil e tendencionista dizer apenas que é, THE AWESOME! Apesar de ser. O filme é bom. Muito bom? Não sei. Não há nada igual...nem sei muito bem como analisar este filme dum ponto de vista cinematográfico, se percebem o que quero dizer. O mais parecido que eu já vi com Scott Pilgrim foi o incrivel over-the-top action extraordinaire coreano de 2001 Volcano High. De facto, este Scott Pilgrim fez-me lembrar muito Volcano High. Não estou a dizer que é um rip-off nem nada disso. Tem muito pouco a ver. Mas ainda assim, pra quem gostar de Scott Pilgrim, aconselho que dêem uma vistinha d'olhos ao trabalho coreano, embora o seu interesse e qualidade (não tecnica!) sejam altamente questionáveis...

Scott Pilgrim (quantas vezes já terei dito o titulo? Enfim, não sou bom a encontrar alternativas)  surpreendeu-me sobretudo pelo seu diversificado e muito bem trabalhado elenco. Eu sou daqueles gajos que quando quero muito ver um filme, tento saber e expor-me ao mínimo de informação e imagens possíveis sobre ele, e por isso, felizmente, praticamente todo o filme foi para mim uma experiência nova e fresca. E encontrar alguns dos actores que nele participam foi apenas uma das muitas boas surpresas com que me deparei. Neste departamento em particular, acho que Brandon Routh (Super-Homem, Chuck) é um autentico show stealer com o seu vilão baixista vegetariano com mania que é rockstar. Embora, sinceramente, todas as personagens estão francamente muito boas e interessantes (adorei também em particular a directa referencia ao jogo Soul Calibur na representação de um golpe tal e qual aquele que podemos ver a lutadora Ivy executar no videojogo, isto através da vilã ex-namorada no filme)

De resto, ainda não referi a banda desenhada em que é baseado o filme. Pois, ainda não a li. Irei, sem duvida nenhuma, lê-la em breve (isto existe, "lê-la"?!). Mas isso também não interessa NADA! Quando se trata de filmes baseados em comics, prefiro ver primeiro o filme sem conhecer a obra original. Só assim se consegue realmente apreciar e avaliar a película por aquilo que ela vale como obra independente e de mérito próprio livre de pressões.

Epá e não sei que mais dizer. Normalmente é quando se chega a este ponto que se pára de escrever, né? Sinto que não falei praticamente nada sobre o filme, mas sei que aquilo que mais queria exprimir está feito. Por isso...ya, não sei mais que dizer. Ah, Scott Pilgrim é granda filme!! Daqueles que irão assim que possível enfeitar a minha prateleira com versão blu-ray, poster, e essas tretas todas. E irei sem duvida revê-lo em breve. E agora assim tá tudo dito...mais ou menos.

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