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sábado, 2 de outubro de 2010

MAUS / The Surrogates

Regressando aos comics...

É um campo recorrente em que me tenho embrenhado ultimamente, o que pessoalmente, não é muito comum. Bem, mas bora falar, assim num estantinho como é hábito, dos dois ultimos comics que li (continuo a achar muito estranho dizer-se que se "lê" um comic. Fica a sensaçao que falta algo, que se está a fazer batota com a descrição. Mas pronto, á (há?) falta de melhor termo, fica assim.). Foram eles Maus e The Surrogates. A unica coisa que têm em comum um com o outro, é mesmo o formato da banda desenhada. E isto é que eu gosto! Ler cenas diferentes, que nao têm nada a ver umas com as outras...saltar dum universo de cenas quadradas para outro de coisas redondas sem qualquer tipo de transiçao intermédia. Ou seja nao, eu nao leio só comics da Marvel e DC sobre super-herois. Muito pelo contrario aliás...

Maus foi um livro (um comic) que eu andei a namorar durante largos meses nas prateleiras da Fnac. Ia sempre deixando passar, na esperança que eventualmente acabasse por compra-lo. As razoes para não o ter adquirido mais cedo eram as do costume: preço elevado e aquela lembrança que "ai isto parece ser muito giro mas agora o que me apetece realmente é ir buscar um menu ao Mac pra comer em casa enquanto vejo o ultimo episodio de Project Runway". Recentemente o preço baixou, e eu lá aproveitei.
Obra magnifica, arrebatadora, muito instrutiva e, como tantas vezes digo pra outras coisas aqui no blog, de aquisição indispensavel! Muito provavelmente o melhor trabalho documentário sobre a Segunda Grande Guerra que já me passou pelas "mãos" (incluido filmes e videojogos sobre o tema. E sim, eu vi a Lista de Schindler).
Maus é um drama humano de profundo impacto, nao deixando indiferente ninguem que o leia. A leitura é super agradavel e viciante, e quando se chega ao fim, fica-se triste por nao haver mais. Fiquei sinceramente emocionado quando terminei Maus (nao, nao chorei! Calma), o que para mim é muito raro (porque eu sou um robo que sonho em assar bébes recém nascidos em micro-ondas). Queria mesmo que o livro nao acabasse, de tal maneira que me tinha apegado ás personagens e ás suas incriveis histórias de vida e durante o Holocausto em particular. Maus não se deixa cair nos faceis dramatismos para chocar quem está a ler como é tao habitual com obras que abordam este periodo histórico. Aliás, as vinhetas que retratam os episodios mais violentos e chocantes sao muito poucas e afastadas entre si, mas quando surgem, abalam profundamente pelo seu teor directo, pragmático, sucinto e subliminar por vezes. Nao se perde tempo em extensivas descriçoes sobre as matanças de judeus nem se procura alimentar o prazer sádico do snuff-porn de que todos nós temos fome. Quando se atiram cadaveres para uma vala comum juntamente com prisioneiros vivos e se rega tudo a gasolina pra incendiar de forma a dar vazão aos fornos de Auschwitz, não sao precisas muitas vinhetas nem muitas linhas de escrita para o demonstrar. E esse é um dos pontos mais fortes e marcantes de Maus. Mas é apenas uma infima parte...Maus dá tambem pra rir com as suas personagens. Admito até que nunca me ri tanto, em voz alta, a ler algo (livro "normal" ou comic) como me ri com este Maus, em particular com a personagem principal...
Enfim já me tou a prolongar demasiado. Pra quem não conhece e/ou não está convencido, convem dizer que Maus ganhou um prémio Pulitzer e é amplamente aclamado com um dos melhores trabalhos de sempre sobre o tema e (mas nao excluindo) utilizando o formato da banda desenhada. Verdadeiramente indispensavel para qualquer pessoa!



O outro comic que li muito recentemente (acabei hoje, no dia em que escrevo isto), foi The Surrogates.
Recente (2005/2006, penso eu) obra de ficçao cientifica pura e dura que se eleva facilmente a estatuto de discreto clássico de culto graças á sua muito actual e pertinente mensagem. Um autentico alerta para o mundo em vivemos e em que cada vez mais nos afundamos a caminho do futuro (a ficçao cientifica tem tido aliás sempre esse papel, e com o passar do tempo cada vez mais se constacta o quão acertadas e propensas á reflexao têm sido as melhores obras do genero nos seus alertas e avisos).
O comic em si é muito curto e para quem tiver disposição, lê-se facilmente duma ponta á outra de uma só vez. Não é particularmente extraordinariamente bom na sua escrita e na sua realizaçao (embora, quanto a mim, seja visualmente muito bom e distinto), mas é extremamente eficaz naquilo a que se submete e propõe e, em tao poucas páginas e com tão pouca exposição, cria um mundo futurista (2054) perfeitamente realista, coerente e assustadoramente plausivel. 
Não vou dar muitos indícios sobre a estória nem me aprofundar muito nesse campo (não faço isso, e quem quiser esse tipo de informaçao, é só googlar), mas The Surrogates dá realmente muito que pensar. Dá que pensar no mundo virtual que hoje se está a impôr ás pessoas, e a que estas voluntariamente se entregam sem ter qualquer noçao das consequencias directas que as suas acçoes têm na sociedade em geral. As "ferramentas" de Surrrogates são talvez tecnologicamente demasiado avançadas pra surgirem num futuro tão proximo (e  daí, quem sabe?), mas a mensagem, a mentalidade e o efeito, esses sao por demais evidentes, plausiveis e, direi até, inevitaveis. 
Um comic que marca e que funciona muito bem no seu formato. Ficção cientifica sabe sempre bem, e The Surrogates é uma das melhores obras do género que tive o prazer de experimentar nos ultimos tempos. Obrigatório.

Ah, fizeram um filme de The Surrogates com Bruce Willis. Este. Ainda nao vi, e ao que parece nao é grande espiga, mas ainda assim quando tiver tempo irei ver...

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