Deixem o vosso e-mail para receber notificações de novos artigos...e ganhar brindes

sábado, 11 de setembro de 2010

Kane & Lynch 2: Dog Days



O perfeito blockbuster de verão! Quem precisa de ir ao cinema quando se pode ter um Kane & Lynch 2 em casa? Eu pelo menos prefiro a opçao video-jogavel.

Ok, vou já começar por rematar pró lado umas coisinhas que me incomodam em relação á apreciaçao geral que existe sobre esta série (agora que já sao dois, é uma serie) pra depois poder realmente dizer o que me interessa sobre o jogo. 
O jogo é curto? Sim é curto. Esta é uma das principais queixas que se tem ouvido contra K&L2. A longevidade tornou-se aliás, talvez no ultimo ano ou dois, no critério mais importante quando se fazem analises a jogos. Ou seja, se um jogo é curto, automaticamente não é merecedor do nosso dinheiro, independentemente da experiencia poder ser excelente ou nao enquanto dura. Hoje em dia em dia criou-se o estigma (apenas e somente por culpa dos pseudos jornalistas dos videojogos, americanos sobretudo) que o videojogo tem sempre de vir acompanhado de modo multijogador pra prolongar a sua longevidade, e, consequentemente o seu valor. Em relaçao a isto tudo, eu digo, FUCK THAT! Isto tá a destruir completamente a essencia do que é um bom videojogo e está a alterar a própria lógica de desenvolvimento dos produtores pra agradarem á massa de cepos e parolos que tanto gostam de se fazer ouvir por todo o lado nas nets e não se cansam dos seus interminaveis deathmatchs online. Eu nao sei quanto a voces, mas pessoalmente já há muito que me fartei de jogar online. Puro e simplesmente cansei-me com o tempo, e enquanto nao surgir algum tipo de grande inovaçao revolucionaria no género, nao me vejo a perder muito tempo a jogar online no futuro. Mas pelos vistos muita gente actualmente prefere até saltar por completo a vertente single-player dum jogo pra se dedicaram exclusivamente ao multi-jogador (depois ainda falam de valor). Vá-se lá perceber...
Ainda em relaçao ao valor dum jogo depender da sua duração, acho interessante o efeito que isso tem no debate dos videojogos serem arte ou não. Ora se um videojogo é arte (e quanto a mim qualquer um é, por mais mau que seja. Tal como qualquer filme tambem o é. Simplesmente há arte boa e má. Arte não é sinonimo de bom/qualidade), surge a questao: a arte mede-se em quantidade? Quando alguem vai ao Louvre pra ver a Mona Lisa, fica a pensar "hmmm...sim, este quadro é uma obra de arte porque eu poderia estar aqui especado a olhar pra ele durante dois dias seguidos que nunca me iria fartar!", ou "hmm...olho pra isto cinco minutos e já me chega. Se calhar o quadro não é assim tao bom...". Bem sei que estes exemplos poderão parecer um bocado...parvos. Mas pra bom entendedor, acho que me faço entender. Além disso, dá-se hoje tanto peso á duraçao de um jogo justificando que é dificil dar X de euros/dolares por um jogo que só nos ocupe durante meia duzia de horas. Quanto a isto eu pergunto, mas quem é que tem o direito de julgar aquilo em que eu gasto o meu dinheiro? Afinal de contas o papel dos criticos é de analisar o valor de determinado jogo, ou serão afinal todos uns contabilistas pessoais intrometidos que procuram encontrar o balanço entre valor monetário e o entretenimento de determinado produto? Claro que se um gajo for muito pobre, se calhar não será muito aconselhavel gastar 60 euros num jogo (independentemente de ser curto ou nao), mas isso é uma questao meramente pessoal. Cada pessoa sabe de si e cada pessoa é que tem de priorizar os seus gastos. Da mesma forma, o gajo que é muito rico e que conduz o Porche 911 amarelo de 97 e tem um Ferrari 458 Italia na garagem a apanhar pó, seguindo-se somente pelos criticos e pelas notas que dão aos jogos, poderá deixar escapar imensos excelentes titulos só porque os escribas, baseando-se na sua própria lógica pessoal, julgaram não merecerem o investimento do preço recomendado. Ora eu acho que isto é de uma arrogancia total, aliada a uma atitude tipica de mentes fechadas, além de muito pouco profissional. 
O que eu quero dizer, basicamente, é que eu é que sei se quero ou nao gastar dinheiro num jogo curto. Isso nao interessa a absolutamente mais ninguem, e não quero que os "especialistas" da área sejam presunçosos ao ponto de poderem julgar o que é ou nao merecedor do meu dinheiro. Eu só quero é que se faça a devida justiça aos titulos por aquilo que eles são e oferecem. Pela experiencia que nos dão e pelo trabalho que os produtores meteram no seu desenvolvimento. Tudo o resto sao batatas e não interessa.

Bom, espero ter deixado clara a minha opinião, e com isto posto de lado, posso agora falar do jogo...assim num instante.
Kane & Lynch 2 é do caraças! Eu já tinha gostado muito do primeiro titulo. Era daqueles jogos que, apesar de nao ser a coisa mais polida de sempre, conseguia ainda assim ser uma experiencia intensa como poucos, retratando os típicos tiroteios entre policias e ladroes que tão habituados estamos a ver no cinema como muito poucos jogos até hoje conseguiram.
A sequela pega nessa intensidade e acrescenta-lhe uma enorme camada de excelentes valores de produçao, que resultam numa experiencia gráfica, jogavel e sonora (sensorial vá) sem precedentes, quanto a mim. Num estilo visual e de trabalho de camera unico e muito original (no contexto dos videojogos), K&L2 mostra desde o primeiro segundo que os produtores realmente pararam pra pensar e planearam até ao pormenor e com grande rigor o que queriam fazer com esta sequela. E o resultado está á vista, é fabuloso!
Este trabalho e dedicação notam-se sobretudo no pano de fundo do jogo. K&L2 desenrola-se em Xangai, na China. Lynch é um "expat" (odeio este termo) a viver na grande metropole chinesa e Kane vai ao seu encontro pra tratarem dumas cenas e tal. A partir daí o jogo desenrola-se pelas grandes ruas comerciais da cidade, pelos becos e ruelas mais obscuras, passando por muitos interiores de apartamentos privados e mais umas quantas localizaçoes. E é nestas localizações que o jogo realmente brilha! Pra quem já esteve em Xangai, é impossivel nao ficar rendido, e nao se deixar surpreender, pela fidelidade de todo o ambiente que vemos á nossa volta. Nao estou somente a falar dos edificios mais reconheciveis e cenas do género (estão lá tambem, e mais ou menos bem nos seus devidos lugares como na realidade), mas sim dos pequenos pormenores...dos pequenos restaurantes "do povo" nas ruelas, das imensas lojas de DVDs e derivados, do tipo de mobiliário e acessorios presentes nas casas privadas (nao faltando o grande garrafão de agua e a ainda maior máquina vertical de ar condicionado. Indispensaveis em qualquer casa chinesa), do tipo de neons publicitários nas ruas, dos sons e músicas pop chinesas que se vão ouvindo...a própria maneira como os personagens estrangeiros se referem ás ruas e pessoas locais tal como qualquer ocidental o faria (e faz) na realidade, etc, etc e muito mais. O que se fez aqui foi uma muito fiel representação do que é uma grande metropole chinesa actual, desprovida de clichés e preconceitos ultrapassados, e os protagonistas sao sempre figuras claramente estrangeiras neste cenário, nao se apoderando dele como acontece com tantos outros exemplos de cinema e dos videojogos ocidentais que se passam num cenário supostamente mais exótico e longínquo. Nota-se realmente que a equipa de produçao de K&L2 incluia pessoas que passaram algum tempo em Xangai e perceberam realmente o "feeling" a retratar.

Mas porqué que toda esta conversa sobre a cidade é assim tao importante afinal? Quanto a mim é porque este jogo é um daqueles casos que vale sobretudo pela experiencia total que nos envolve (nao só de jogabilidade e mecanicas), e para poder apreciar esse trabalho, cabe tambem ao jogador ter uma certa sensibilidade mais apurada, atenta e mete aberta e nao jogar só porque quer andar aos tiros sem parar. Para isso, de facto existem muitos outros jogos que talvez até sejam melhores, mas estar a julgar K&L2 só pelas suas mecanicas mais convencionais seria estar a ignorar cerca de 70 a 80% do real valor do jogo.

E depois ainda se pode falar das personagens, Kane e...sim, Lynch. Espectaculares! Dos melhores protagonistas do mundo dos videojogos, estes dois desafiam convenções e mostram que tambem nesta industria há espaço pra algo mais que não apenas os bruta-montes que apelam a jovens inseguros e gordos de 14 anos, ou os herois coloridos e infantis que apelam aos crescidos que nunca crescem. Kane e Lynch sao simplesmente dois gajos feios, maus, com atitude, que se tão a cagar pra tudo e todos aqueles que não lhes dizem respeito. Cada um com a sua história passada bastante competente e com as suas personalidades muito bem vincadas e sem nunca se vergarem a "facilidades de guião", estes dois tão aí pró que der e vier! Mas no fundo já tão é fartos disto tudo e só querem tar quietos e descansar tambem. Adoro! São muito raras personagens tão genuinamente ambiguas e crediveis (realistas ao fim ao cabo) como estes dois em videojogos. E há que dar os devidos parabens por isso. Sobretudo também porque não sao personagens de tipo icónica: estamos habituados a controlar personagens que têm sempre a mesma roupa caracterista e a mesma atitude ao longo de todo um jogo. Em K&L2 isso nao acontece, sendo que os nossos "herois" vão mudando de indumentária ao longo da sua aventura consoante a necessidade (e a necessidade surge...). Assim, para além dos seus próprios rostos, não sao personagens facilmente identificaveis por terem este ou aquele adereço particular na sua roupa. Isto confere-lhes ainda mais essa tal faceta realista e credivel, e será tambem motivo pra grande e prolongadas reflecçoes para qualquer cosplayer que queira tentar a sua sorte com um destes dois...

Que mais falta falar? Hmmm.....dos modos online nao falo porque nem sequer experimentei e provavelmente não o irei fazer sequer. Que resta então dizer? Bem, resta só concluir que gostei muito de Kane & Lynch 2! Sim, é curto, mas caraças, é espectacular e excelente do principio ao fim! E isso pra mim não tem valor fixo. Há quem prefira pagar pra passar 40 ou 60 horas a fazer grinds e tarefas repetitivas que rapidamente deixam de ser um jogo para se transformarem numa especie de trabalho zombie...eu prefiro pagar por meia duzia de horas excitantes com uma experiencia aliciante e coesa do principio ao fim. Chamem-me louco...

Sem comentários: