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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

E o Povo pá?!

 A "industria" farmaceutica em Portugal está revoltada porque o Estado Portugues insiste em baixar o preço dos medicamentos, com directo beneficio prá população (embora esse nao seja realmente o objectivo nem a motivaçao principal, obvio).
O que acontece então? Os médias dão larga cobertura aos protestos da Farmacêutica, que se sentem vitimas e exigem que o Estado mude a sua politica e inverta esta desinflação do custo dos medicamentos, ao risco de os profissionais do sector verem os seus negócios cairem por terra.

Temos aqui mais um claro sintoma da Ditadura Económica (Ditadura da Economia) em que vivemos. O poderosíssimo cartel da Industria Farmacêutica (essencialmente a maior máfia e associação terrorista legal do Mundo) vê como lógica a ideia que se desfavoreça a grande maioria da população em favor dos lucros dos seus negocios, e os médias parecem alinhar nessa lógica e poço profundo de sensatez. Porque não há outra alternativa, certo? Afinal de contas, para o povo ter os medicamentos, a Industria Farmaceutica tem que os poder produzir e vender (neste caso especifico portugues, a questão é a venda). E se não obtem lucro sufeciente, torna-se insustentavel o modelo de negócio actual com as muitas farmácias abertas por todo o país. Hmm....

Actualmente a Blockbusters está em falencia. A grande cadeia americana (globalizada) de aluguer de produtos multimédia (particularmente filmes, e jogos, penso eu) viu os lucros descerem...perdão, cairem a pique nos ultimos anos. A razão? Muito simples: internet e distribuição digital. Puro e simplesmente tornou-se monetariamente inviavel prá maioria das pessoas alugar filmes (fisicamente) a preços quase semelhantes aos de bilhetes de cinema quando, no conforto de suas próprias casas poderiam fazer o download (legal ou ilegal) desses mesmos produtos em poucos minutos e a um custo substancialmente inferior. Além disso, tambem deixou de ser cómodo (nao que alguma vez tenha sido) uma pessoa deslocar-se ao habitual video-clube para ir buscar o mais recente filme. Ter de sair de casa, pegar no carro se for o caso (custos acrescidos de combustivel), apanhar com a potencial chuva ou frio, etc. Ou seja, todo o sistema da Blockbuster (e clubes de video em geral) tornou-se num curto espaço de tempo ilógico e contra natura. O modelo de negócio deixou de ser viavél e deixou de ir ao encontro do interesse dos consumidores. E a cadeia americana está no estado em que está porque não conseguiu adaptar o seu modelo de negócio ás novas necessidades, exigencias e tendencias de mercado e da sociedade. Tao simples quanto isso. Qual seria a solução pra ter salvo a Blockbuster? Nao sei, nao me cabe a mim saber. Nao sou director de marketing nem nada do género, nem tao pouco perdi ainda algum tempo a pensar no assunto.

O que é que tudo isto da Blockbuster tem a ver com a revolta das farmaceuticas portuguesas? Tudo, e nada. A nivel de modelo de negocio e tudo isso, tem muito pouco a ver. Mas o que eu acho extraordinário (e revoltante) é que se salte logo, sem questionar, prá ideia que o que tem que mudar são os métodos do Estado ou os habitos do Povo (pagando mais). Os médias, cumprindo o seu habitual papel de passividade e ferramenta de propaganda para o Estado da Ditadura Economica actual, simplesmente exibem as exigencias da Grande Farmaceutica, deixando sempre a dissimulada e implitica impressão e mensagem que essas exigencias sao justas e sensatas (ora pois claro, o Capital é Democracia! Sem o Grande Capital a comandar tudo, caimos no caos, na anarquia, quiça...e cruzes credo que isso aconteça, num Estado de equilibrio e justiça economica e social. Utopia, gozam uns! Socialismo e/ou Comunismo opressivo gritam outros, na sua bolha ilusória de liberdade em que vivem, autenticos peões da Máquina.), sem se questionarem ou proporem alternativas.
A Industria Farmaceutica já deixou bem claro, e nao se trata de nenhum segredo, que é um negocio. Puro e duro. Privado e que nao responde directamente a Governos (muito pelo contrario, na verdade). Ora sendo assim, não será mais lógico que tenham de ser os próprios profissionais do sector a repensarem o seu modelo de negócio de modo a se adaptarem ás novas exigencias e conjectura actual de mercado? Mas afinal de contas só se é capitalista quando convém e depois cai-se no papel da vitimização voluntária criando-se a ilusão que a populaçao precisa mais de determinado negocio (neste caso as farmácias) do que ele dos seus consumidores e clientes, e por isso somos obrigados a ceder ás suas exigencias manipuladoras e que tudo controlam (Ditadura Ecónomica in a nutshell)?! Nao faz sentido nenhum quanto a mim! O interesse da maioria, e sobretudo da enorme maioria que é o Povo, a população de um país, devem sempre prevalecer! E no caso particular de Portugal, em que a maioria da população é, literalmente, pobre!, não faz sentido nenhum que se esteja sequer a dar ouvidos a elites e suprasumos economicos privados em desfavor da essencia e do nucleo da própria Nação, que é o seu Povo.

A Farmaceutica Portuguesa (seja lá qual for o nome que a associaçao tem, se a tem ou se é sequer uma associaçao, desconheço) e os seus profissionais, em vez de se porem num alto pedestal ignorando a miséria dos seus consumidores, que olhem mas é pra outros case-studies e aprendam com eles. E se adaptem!
Foi afinal de contas por isso que a Blockbuster falhou e está a falhar: nao se conseguiu adaptar. 
Mais uma vez, não faço ideia de qual seria a melhor medida a tomar pelas farmaceuticas portuguesas, mas mais uma vez tambem, nao me cabe a mim (nem a nenhum cidadão que não trabalhe no sector) surgir com uma solução, e muito menos ser vitima da má gestão e incompetencias alheias.

O mais extraordinário nisto tudo, é que muitos individuos da Direita, cidadãos comuns, irão, naturalmente, defender os ideais da Farmaceutica, e estarão dispostos a pagar mais e a escravizarem-se ainda mais pela boa saude do Estado Economico, em detrimento do Estado Social, que é aquele de que fazem parte, quer se dêem conta disso, ou nao. Isso sim, é verdadeiramente incrivel, medonho e assustador! 
Compreendo que isto possa parecer insultuoso para alguns, mas é a minha opinião, pessoal, como não poderia deixar de ser, nunca.

E sim, eu apercebo-me das aparentes contradiçoes no meu discurso quando falo de Estado Economico e quando se fala do estatuto independente das Farmaceuticas. Mas o que conta aqui é a mensagem geral, e esta opressão que se tenta lançar sobre a populaçao. E nesse aspecto, quem manda é o Capital. O Capital controla o Estado, e o privado, obviamente, e ó Capital. Um sufoco!

Claro que isto são tudo falinhas mansas, e os gigantes lobbies da Industria Farmaceutica não cedem e prevalecem enquanto houver gente a adoecer. Por isso cabe a cada um de nós fazer a diferença, nos pequenos actos do dia-a-dia, com o voto de carteira que assinamos em quase tudo o que fazemos...


PS: Se tudo o que aqui comentei já tá muito fora d'horas e entretanto ja se tenham tomado medidas relevantes em relaçao ao assunto, peço desculpa. Tenho andado um bocado desactualizado ultimamente...

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