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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Inception/The A-Team

Não era pra comentar, porque não me apetecia...mas depois apeteceu-me, e então decidi comentar. Muito rapida e sucintamente...

Inception, ou (A?) Origem no seu titulo portugues, é um filme que me deixou ligeiramente perturbado, mas não pelas melhores e mais presumiveis razões. Passo a explicar...e aviso tambem que embora nao vá expor pormenores explicitos da narrativa ou cenas, de certa forma vou entrar no campo dos spoilers, ainda que num teor meio vago. Portanto quem ainda nao viu o filme, que faça o favor de saltar pró próximo pedaço de texto sobre o A-Team, ou entao, porque é Verão, que aproveite e vá beber uma limonada.
A unica coisa que tinha visto de Inception tinha sido o trailer inicial. Depois disso, tentei ao máximo evitar qualquer tipo de informaçao extra que pudesse estragar a experiencia, e, embora tenha apanhado com os inevitaveis zum zuns que a história tinha o campo dos sonhos como tema central, a verdade é que consegui entrar na sala de cinema sem saber muito bem o que esperar. E o que apanhei foi um filme moderadamente bom, interessante quanto baste, mas que no fim de contas me passou como muito inconsequente e, como dizem os que falam a lingua de Chuck Norris, forgettable.

Vou começar por comentar o que gostei no filme. Gostei de todo o elenco em geral mas gostei sobretudo de Leonardo Dicaprio e do outro puto (que agora já nao é puto) que era o adolescente na sitcom Terceiro Calhau a Contar do Sol (best sitcom eva, btw!!!) e cujo nome real nao conheço e tambem nao vou agora verificar ao tubo do Google porque isso vai contra o meu modos operandi aqui do blog (I don't research, I just do it! e peço desculpa pelas excessivas expressoes inglesas). Ambos os actores estão muito bem, e se no caso do "puto do Terceiro Calhau" isto é mais uma confirmaçao de um talento que é há muito visivel e que se tem desenvolvido gradualmente do que propriamente uma surpresa, no caso de DiCaprio é puro e simplesmente o costume. Muita gente nao gosta de DiCaprio por varias e diversas razões. Eu quando era piquinino tambem não o curtia muito, mas depois cresci e passei a reconhece-lo como um dos melhores actores de sempre, e sem sombra de duvida da actualidade. Aliás, para mim DiCaprio e Johnny Depp sao, provavelmente, os meus dois actores favoritos (sim, escolha muito cliché e óbvia. Ok, acrescento então o Gérard Rinaldi e Tony Leung só pra cumprir a faceta de pseudo), mas hoje em dia a minha preferencia tende mais pró lado do DiCaprio. Isto porque o Depp teve a excelente ideia de participar na sequela d'Os Piratas das Caraibas, e depois participou no terceiro filme...e agora tá a chupar (e a ser chupado pelo) o quarto. E é pra estes casos que existe a expressão don't wear out your welcome...
Mas estava a falar de Inception e de Dicaprio. Ok despachando DiCaprio então (tou farto de escrever o seu apelido, mas se usar o primeiro nome vou estar sempre a pensar na tartaruga ninja homónima, portanto isso nao é uma hipotese), ele é excelente. SEMPRE! E mesmo neste Inception sem se esforçar muito, consegue ser ainda assim o ponto alto da pelicula. Como costumo dizer, um filme com Leonardo DiCaprio é sempre melhor que um filme sem Leonardo DiCaprio. E agora fiquei com vontade de comer pizza...
Outras coisas (e cenas) que gostei em Inception...gosto do estilo do realizador, Christopher Nollan. Gosto da intensidade que ele consegue dar a algumas cenas com a utilização de uma banda sonora potente e pujante. No entanto essa "técnica" pareceu-me muito semelhante e reciclada daquilo que já se tinha visto em The Dark Knight, o que me faz temer que em muitos aspectos este Nollan seja um one-trick pony. Até porque todo o estilo de realizaçao deste Inception me fez lembrar em demasia o seu ultimo filme de Batman. Mas pronto, gosto. Gosto desse estilo...intenso, directo, crescendo e mais ou menos profundo e convoluto ao mesmo tempo.

Agora falando do que nao gostei em Inception...não é que nao tenha gostado, apenas que ficou bastante abaixo das minhas (muito) elevadas expectativas. Estava á espera dum épico mindfuck daqueles que nos dão a volta à cabeça e nos obrigam a imaginar um salto em sky-dive (redundante?) dum avião enquanto no meio das nuvens tentamos detectar um coelho branco no meio da pradaria lá em baixo. O que encontrei em vez disso foi um clássico filme de tipo assalto ao banco (heist movie), qual Oceans Eleven, disfarçado de pseudo obra profunda, filosófica, analitica e intelectualmente desafiadora. Mas estou a ser injusto, pois o filme, parece-me, nem é muito pretensioso, e é até surpreendentemente fácil de seguir, muito linear, directo e de fácil compreensão. A culpa é do público e da critica internacional que criaram esta imagem enganadora (e essa sim muito pretensiosa e arrogante) á volta do filme como se fosse uma especie de derretedor de cérebros freudiano. A esses eu recomendo que dêem uma vista de olhos ao excelente Paprika, que por acaso já aqui tinha falado.
Fiquei assim um tanto ou quanto aborrecido com o filme pois não era metade daquilo que eu esperava, embora nao soubesse muito bem o que esperar. Mas esperava certamente algo mais. Algo mais interessante e que deixasse uma marca mais permanente na minha mente. Acho que gostei, apesar de tudo. Como disse no inicio, é um filme moderadamente bom, mas lá está, muito inconsequente, na minha opinião. Oh, e antes que me esqueça...aquele final! Nao, eu nao julgo filmes pelo seu final e odeio quem o faz, mas ainda assim nao posso deixar de comentar o quanto odiei o final de Inception, e que se o desenlace nao fosse o que foi, eu provavelmente até teria ficado com uma opinião geral do filme muito mais positiva. Mas não...tiveram que optar pelo final mais cliché dos clichés, aquele tão previsivel e foleiro, que até tornou a sua utilização altamente surpreendente (do tipo "really? Tinham mesmo que fazer isto?!"). Aquele piscar de olho manhoso e preguiçoso, aquela palmadinha nas costas como que a dizer "hey espera aí, não te vás já embora. Leva lá este ultimo pedacinho pra ficares a pensar no caminho pra casa...". No meu caso esta palmadinha nas costas só me fez erguer a palma da mão direita directamente prá minha testa que ficou a repousar durante dois ou três segundos até finalmente desligar a parte do cérebro que estava a processar o visionamento do filme.
Tal como eu disse, inconsequente. Muito...


The A-Team, ou Os Soldados da Fortuna. 
Quanto a este não tenho muito a dizer. Mas antes de comentar o filme, sinto a necessidade de esclarecer que eu nunca vi a série A-Team em "brasileiro" como maior parte do publico portugues (e acho isso incrivelmente estranho e bizarro). Fruto da minha tenra infancia snob e elitista em terras helvéticas, onde passava maior parte dos fins de tarde dentro do meu chalé com vista pró Matterhorn a coçar as orelhas do Beethoven enquanto degostava a boa da raclette ao mesmo tempo que o cuco do relógio me avisava que já eram horas de ir beber o leite com Suchard e ao qual eu respondia "ah, fuck you! Tenho um Swatch, nao preciso de nenhum cuco de parede pra me dizer as horas", prontamente atirando um canivete com a lamina mais afiada apontada para ele. Tudo isto sentado no conforto duma pilha de barras de ouro de origem totalmente irrepreensível, agitando a minha caneta Parker e reflectindo no conteudo da carta que iria escrever á Néstle contestando a existencia de vacas roxas (os franceses é que a sabiam toda com a deles vermelha e que nao parava de rir. Get it? A vaca que ri...doença das vacas loucas...ok). 
Sim, é assim a infancia de todas as crianças naquele país. Mas bon, fruto então desta infancia, eu apenas vi A-Team em francês, o que faz muito mais sentido do que ver com portugues do Brasil, obviamente. E eu gostava muito da série...muito mesmo.

Ok agora o filme. 
Nunca estive tão perto de abandonar uma sala de cinema antes da fita acabar como estive hoje enquanto via este A-Team. Isto não significa que tenha sido o pior filme que alguma vez apanhei no grande ecrã, muito longe disso! Nao sei, talvez nao estivesse com a disposiçao correcta, talvez me sentisse incomodado pelo casalinho que estava sentado atrás de mim e que nao paravam de se comer (juro que a certa altura ouvi o que me pareceu ser um fecho éclair a abrir, ou fechar!), talvez o senhor idoso que estava sentado na ultima fila e que me cumprimentou em espanhol quando entrei na sala me tenha deixado demasiado alerta, ou talvez a imagem da projecçao que estava um bocado desfocada no centro do ecrã tenha sido demasiado distrativa ao longo da sessão. Ou talvez o filme fosse apenas uma real e valenta merda que me fez apanhar um secão enorme como há muito tempo não apanhava e me fez reflectir sobre a minha,  recentemente adquirida, falta de paciencia para ir ver este tipo de filmes ao cinema gastando no processo uns escandalosos e pesados 5 euros (por acaso hoje era Segunda Feira e o preço era inferior, mas ainda assim demasiado). De facto, ultimamente parece que, no cinema, só suporto filmes mais ali prós lados dos intelectualismos, ou pelo menos filmes com personagens interessantes e tal. Ou seja, hoje em dia custa-me bastante ver um filme brainless de acçao no cinema. Costuma-se dizer que para ver este tipo de filmes temos de desligar o cérebro enquanto o vemos ou mesmo deixa-lo á entrada antes de entrar, e depois aproveitar o espectaculo de forma descomplexada. Eu dantes era perfeitamente capaz de fazer isto, e gostava! Mas hoje em dia, se estou sentado numa sala de cinema a ver algo que não me prenda constantemente a atenção e me intrigue, a minha mente e pensamentos começam a divagar...divagar pra muitas outras coisas que tenho de e/ou que quero fazer depois do filme. E consequencia disto é que passo maior parte do tempo desesperadamente á espera que o filme acabe para poder bazar. Hoje foi precisamente isto que me aconteceu enquanto via The A-Team. Sinais do tempo...sinal que um gajo realmente chega a um ponto em que começa a perder a pachorra pra certas coisas. Nao sei se numa eventual experiencia futura semelhante serei capaz de resistir á vontade de sair da sala antes do tempo previsto...o que seria para mim inédito.

1 comentário:

Anónimo disse...

Partilho da mesma opinião acerca do Inception. Achei que o filme não correspondeu às expectativas criadas pelos media e aquela cena final era perfeitamente dispensável...

Nice blog by the way ;)