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sábado, 5 de junho de 2010

Visão


Na revista Visão desta semana, Boaventura de Sousa Santos subscreve uma coluna com o titulo "Cidadãos europeus, Uni-vos!". Nao me vou armar em arrogante e fingir que sei o que se passa na mente deste senhor e quais seriam as intençoes mais implicitas (se as há) deste seu artigo. Mas tambem me parece que o homem escreveu com bastante clareza, simplicidade e de forma nada criptica. A mensagem a reter é muito simples, um apelo á Revoluçao!
Calma, nao se convoca o povo a sair prá rua amanha pra rebentar com a baixa de Frankfurt nem com o Parlamento Europeu em Estrasburgo nem tao pouco lá com as casas de tachos de Bruxelas, nada disso. Mas apela-se áquela revoluçao mais importante de todas e que tem imperativamente de acontecer antes da dita, da prática nas ruas possa acontecer: a revoluçao da consciencia! Ter noçao do que está a acontecer e dos poderes que nos estão a tentar sufocar e criar um novo fascismo economico! O fascismo dos supra-sumos economicos, do alto capital e do terrorismo social a que o povo está a ser sujeito nos ultimos anos por mão dos seus próprios governos e de organizaçoes internacionais globais que têm como unico objectivo o controlo e hegemonia totais da sociedade em que vivemos (e que ao que tudo aponta e pelo que se pode prever, só tenderá a se intensificar).
"A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho." Assim se pode ler nesta página da Visão, que termina com um contundente "Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios."

A razao porque escrevo aqui isto é, obviamente, porque gostei de ler algo assim numa revista semanal considerada mais ou menos mainstream.  É refrescante ler a opiniao livre, a opiniao inconformista. A opiniao que nao tem medo de ser ridicularizada pelos grandes e ensurdecedores altifalantes da direita conservadora e neo-liberal que tanto gostam de monopolizar as vias de comunicaçao na tentativa de criar a ilusao que a sua voz é representativa da maioria, ou pelo menos da postura mais correcta. É sobretudo essa demagogia, essa constante lavagem cerebral que se deve combater hoje em dia. Porque a Revoluçao nos tempos que correm dificilmente resulta com manifestaçoes de rua...o colectivo já nao existe como existia há decadas atrás. A sociedade está demasiado fragmentada, entre a grande maioria parola e ignorante e o outro grande pedaço de pessoas com a sua opiniao mais ou menos iluminada que irremediavelmente se auto-catalogam (tendo ou nao plena consciencia disso) nos seus proprios "partidos" sociais e sub-culturais que nao encontram forma de se unir realmente. O resultado disto é a passividade geral e uma enorme carta branca dada á máquina Capitalista e aos orgãos de poder que se entregam de braços abertos e/ou sao feitos reféns dessa mesma máquina.
Sendo assim, o combate está dependente de cada um de nós. Da educaçao e clarificaçao de ideias, e das pequenas decisoes de todos os dias, mas sempre mantendo uma postura tolerante e nunca dogmática. Nao faz mal se existirem por aí uns quantos Hitlers (que existirao sempre, e a variedade é sempre bem vinda), temos apenas é de nos assegurar que eles nao consigam alcançar os joystiqs do Poder com as suas mãos!

No entanto, é dificil manter altos niveis de optimismo em relaçao ao futuro quando se observa o presente. O futuro, as geraçoes mais jovens - adolescentes e jovens adultos - nao querem saber, em geral. E já que referi a Visão, aproveito já as publicaçoes escritas como exemplo. É frequente eu viajar de comboio nos Urbanos da Linha Norte...e é tao tao raro ver alguem da minha idade a ler uma Visao, uma Focus, Sábado, Corrier Internacional ou até uma Super Interessante nessas viagens. Já se sabe que os hábitos de leitura estão muito enfraquecidos hoje em dia, e que sao muito poucos aqueles que leiem livros. Disso em particular (dos livros), nao me queixo, pois é apenas mais um meio artistico como tantos outros, um gosto pessoal. Na minha opiniao é tao condenavel nao se ler livros como é nao ouvir musica, nao ver filmes, nao jogar videojogos, ou nao apreciar arte plástica (etc). Mas acho péssimo que nao se leia a informaçao, que nao se leia a actualidade. Aí é que está o verdadeiro problema. E nao se pense que a internet é grande soluçao para esse grande pedaço de populaçao "desinteressado", pois esses sao os mesmos que praticamente apenas a utilizam para consumir conteudos multimedia mais ou menos futeis como bem se sabe...



Foi só uma opiniao mais...err...pessoal. De maneira nenhuma estou aqui a tentar convencer alguem seja do que for. É apenas um posiçao pessoal.

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