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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Três Dê - Mais um impurrão -



Nao gosto deste movimento, deste grande investimento e marketing a puxar o 3D pra cima do publico. Companhias como a Sony (sobretudo, mas não só) têm tentado, a todo o custo (literalmente) criar esta ilusao que o futuro de tudo o que é multimedia (cinema, videojogos, televisao e quem sabe o que mais...) passa inequivocamente pelo 3D. E é disso mesmo que se trata, de uma ilusão. E se a ilusao levar com insistencia suficiente, entao poderá tornar-se realidade.
O alvo aqui nao é o publico conhecedor, nao sao os geeks, nem habitués de gadgets e demais aparelhagens tecnologicas, nao. O publico alvo aqui é o mais importante deles todos, aquele que realmente decide se algo se torna standart ou nao...o publico geral, o grande povo, o publico de massas. E se há uma coisa que todos nós sabemos, é que grande publico é burro e extremamente influenciavel. 
Tá-se então a dar este empurrao interminavel e cheio de pujança em que se diz que o 3D é sem duvida nenhuma o futuro, e que quem nao alinhar, está out! Isto nao é verdade no entanto! Nao estou a dizer que nao irá assim acontecer, mas ainda assim nao é verdade! Nao é verdade porque o futuro dos mercados de consumiveis (hey, nao sou especialistas em economia e cenas que tal, portanto dêm o desconto necessario se estiver a usar expressoes muito erradas) é ditado pelas tendencias, tendencias essas que sao alimentadas pelo publico, pelo consumidor. Ora claro que essas mesmas tendencias sao tambem fortemente orientadas e criadas pelas proprias companhias, mas ao final do dia, uma coisa só resulta se o publico aderir. Portanto, enquanto 50% das casas nao tiverem uma televisao que suporte 3D ninguem pode dizer com toda a certeza, e arrogancia á mistura, que o futuro passa por aí. E espero, pessoalmente, que nao passe mesmo (já aqui dei a minha opiniao sobre o assunto).

Mas eu tava a falar da ilusao. E isso é que interessa. Hoje em dia tudo na nossa sociedade passa pela ilusao. Pela criaçao de uma certa expectactiva, pela lavagem cerebral colectiva em que se procura convencer que toda a gente precisa de usar rolhas de 5 milimetros de diametro quando na realidade toda a gente usa garrafoes com bocas de 5 centimetros! É o que eu chamo de efeito 'eclipse aplicado á demagogia social de massas'. A Lua apesar de milhares de vezes mais pequena que o Sol, consegue ainda assim tapa-lo por completo quando as condiçoes necessarias se alinham. E no mundo as coisas funcionam tambem um bocado assim: não é a vontade e/ou necessidade colectiva que interessa, mas sim a convicçao e empenho de um muito mais reduzido nucleo de elite controlador e possessivo que quando lhe vê fornecidas as ferramentas apropriadas, consegue espalhar a sua sombra por toda a planicie.
Isto do 3D, hoje em dia, funciona um bocado assim tambem. Quando o grande publico estiver convencido (mesmo que nao saiba exactamente porquê) que precisa do 3D e que o 3D é algo em que vale investir, entao as corporaçoes terão atingido o seu objectivo e terão criado mais um mercado e mais uma fonte de receitas, que é esse sempre o seu objectivo. As pessoas que nao percebem nada de tecnologia irão pensar que o 3D é o agora, e irão pensar que se nao investirem no formato irão ficar para trás, desactualizadas. A grande ironia é que esta constante corrida do grande publico (ignorante) para se manter actualizado, só acontece porque os seus elementos estão de facto profundamente desactualizados e desinformados, e só reagem ao que lhes surge directamente em frente, nunca havendo qualquer pesquisa ou conhecimento mais aprofundado dos produtos e tendencias em causa e sua devida contextualizaçao (e do segmento em que estão incluidos). Porque as pessoas nao compram tecnologia pela sua necessidade, mas antes pela vaidade e sentido de integridade e inclusao, escapando-lhes a verdade mais escondida que nestas matérias, quem está realmente actualizado e a par das tendencias e desenvolvimentos reais, está tambem automaticamente excluido do mainstream (em certa medida. espero me fazer entender).

O problema do 3D é que nao é realmente um progresso tecnologico. Pelo menos nao no sentido comum a que nos habituamos. Eu vejo a evoluçao tecnologica dos multimedia de forma vertical. Ou seja, vamos progredindo pra cima, vai-se melhorando e perfeccionando (esta palavra existe?) a base em que navegamos no presente. Já o 3D, parece-me, é mais um desvio de ordem horizontal. É mais um acréscimo acessorio mais ou menos definitivo e aplicavel tanto na tecnologia presente, como passada e futura (se desejavel, pode-se converter um videojogo ou filme mais antigo de forma a ser compativel com o formato 3D). Nao quero com isto dizer que sou um gajo conservador que recusa ideias novas. Nao, nada disso, muito pelo contrario. Sou totalmente a favor de novos formatos, novas soluçoes e todo o tipo de inovaçao. O problema, quanto a mim, é que o 3D tem um caracter intrinsecamente acessório, o que o levaria, naturalmente, a ser opcional. Ora mas o que acontece, a tal ilusao que se tenta criar, é que o 3D nao se pretende opcional mas sim como a regra geral, o denominador comum para o futuro. E isto é que nao suporto e considero como uma ameaça!
E a unica barreira que separa a ilusao da realidade, passa pela tal propaganda junto do publico geral. Se este acreditar, e aceitar, que o 3D será o futuro, então aí já nao haverá volta a dar. E nesse cenario, as pessoas informadas e com uma boa percepçao do mercado serão forçadas  a adoptar o novo formato, á falta de alternativa.

Sinceramente, ainda acredito que isto do 3D nao vai pegar da forma que a Sony e outros tantos pretendem. Acredito sinceramente que no final da linha o 3D irá resultar como uma opçao. Uma opçao talvez demasiado popular, mas ainda assim nunca mais que uma opçao. Para mais, até acredito que a unica coisa que mantem viva esta ilusao que o 3D é a cena mais espectacular de sempre e que será o futuro, é precisamente a falta de alcance e abrangência que o formato conseguiu atingir até agora, pelo menos a nivel domestico. Nas grandes salas o sucesso é já inegavel, mas tal como expliquei na minha anterior opiniao sobre o tema, uma ida ao cinema é sempre uma situaçao pontual. Uma situaçao pontual muito diferente da experiencia caseira. Convencer alguem a usar uns oculos incomodativos durante duas horas seguidas e bem combinadas no conforto (ou falta dele) de uma sala de cinema está a um oceano de distancia de ser o mesmo que convencer as pessoas a usar ditos oculos nas suas casas para ver filmes, televisao generalista, e jogar videojogos. Puro e simplesmente o incomodo é demasiado e nao é nada prático. Para além disso, a outra questao passa mesmo pelo formato definitivo do 3D. Isto porque se hoje em dia a ideia é convencer toda a gente a comprar televisores 3D e ignorar as dores de cabeça e comichão de olhos provocados pelos oculos a tanta gente, já se fala que dentro de poucos anos (as bocas das internets apontam pra 2015) os oculos se tornarao obsoletos, assim como as televisoes compativeis actuais, e o formato passará a ser livre de acessorios fisicos (algo que eu já apoiaria provavelmente, mas apenas se continuasse a ser apenas opcional).
Seja como for, acho que no fim de contas o bom senso sairá triunfante, e espero que a vontade do consumidor voe na direcçao certa. Eu por mim, vou fazendo das minhas e vou fazendo o que posso: nao irei investir um unico centimo na tecnologia 3D nos proximos anos, e presentemente boicoto tudo o que seja 3D, nomeadamente filmes no cinema. Mas isso sou eu...


PS: Reparei já demasiado tarde que o titulo deste artigo tem um aparente erro ortográfico na palavra "impurrão". Vou deixar estar assim no entanto. É certo que habitualmente se deveria escrever com "e" porque a palavra vem de "empurrar", mas tambem nao é muito menos certo que um empurrao é consequencia directa de um impulso (com "i"), portanto, quanto a mim, é correcto escrever tanto com "e" como com "i".
Outra justificaçao que posso inventar é que se trata na verdade de um trocadilho, em que o "i" está lá pra redireccionar o sentido da palavra pró "impuro", pois acho que tudo isto do 3D é uma grande impuridade e falcatrua para com a gente. Pronto é tudo.

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