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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Chamo-lhes Novelas Gráficas...

Recentemente, ha já uns bons tempos atrás, adquiri o habito de ler novelas gráficas (maneira chic de dizer bandas desenhadas), mas por alguma razao nunca aqui comentei nada do que li. Hoje isso vai mudar! E aliás, está a mudar neste preciso momento.
Vou apenas aqui deixar uma pequena referencia a quatro das ultimas obras que tive o prazer de ler e contemplar. Espero que sirva de bom guia sugestivo para quem nao as conhecer e/ou ainda nao as tiver lido.



A Triologia Nikopol (sim! eu digo triologia e nao recuo perante isso!) foi uma das obras mais estranhas e espectaculares que descobri nos ultimos tempos. Já li isto ha bastante tempo e torna-se portanto num penoso exercicio de recordação comentar a obra. Tal como o titulo indicia, trata-se de uma triologia de algo, neste caso de três contos interligados mas que poderão tambem ser desfrutados independentemente (embora o conjunto faça muito mais sentido quando reunido).Ora bem mas do que trata esta triologia de Nikopol? É de autoria francesa (adquiri a versao francesa na fnac portuguesa. Desconheço a existencia da traduçao pra ingles em Portugal) e é basicamente ficçao-cientifica existencial pura e dura! Cenas do mindfuck mesmo, como eu gosto de dizer, mas que de alguma forma, e por claro mérito do autor, fazem todo o sentido e se mantêm sempre muito coerentes. Encontra-se no centro tematico de Nikopol a decadencia extrema. Decadencia moral, fisica, materialistica e divina. A ganancia dos deuses e dos homens, que convivem mutuamente numa ficcionada Europa futurista (no inicio, progredindo para outros territorios posteriormente) onde o fascismo impera e os ciclos pró-revolucionarios acompanham toda a narrativa da triologia. É dificil explicar Nikopol...é daquelas cenas que se tem de ver para compreender. É acima de tudo uma obra com uma ENORME atençao ao pormenor e que deixa muito pouco ao acaso, e um daqueles casos em que quantas mais vezes se lê, mais se descobre e descortina nos quadradinhos que a compoem. É tudo muito cinematico e visual (a ultima parte da triologia é imensamente preenchida por imagens sem texto, ou com muito pouco), embora sempre com muita essencia e complexidade a suportar tudo o que vemos. De facto, até ja se fez uma adaptaçao para o cinema (Immortal), mas infelizmente é de muito má qualidade, a meu ver. Pessoalmente adoraria ver Nikopol  devidamente adaptado ao cinema...acho que é daqueles universos que, se bem aproveitado e trabalhado nas maos correctas, poderia fazer surgir um clássico instantaneo do cinema, ao nivel de um Blade Runner (sim!).
Procurem o livro na livrarias, fnacs, etc, mais proximas, ou na net. Vale mesmo a pena.



Persepolis. Este já toda a gente conhece e ouviu falar, pelo menos da sua adaptaçao cinematografica, que se nao me engano até ganhou o Oscar pra melhor filme estrangeiro ou melhor filme de animaçao ou algo do genero. Enfim, nem interessa muito, pois embora o filme possa parecer muito interessante, fica muito, muito mesmo, a dever á obra original.
Persepolis conta a historia de uma jovem iraniana no meio dos tumultos revolucionarios e autoritarios da recente Historia do Irão. É um livro (é um comic, mas acho mais facil tratar por livro, porque o é tambem), em forma e apresentaçao, muito leve e que se lê com frequentes sorrisos nos labios, mas que é ao mesmo tempo muito intenso e uma optima liçao de Historia do Irão e das diferenças culturais entre  o cidadão iraniano e o, nestes assuntos, vulgarmente presunçoso habitante da Europa ocidental. E foi este ultimo aspecto que mais me apaixonou em Persepolis. Descobrir todas estas pequenas e grandes diferenças culturais, umas mais obvias e outras que nos surpreendem por completo e nos dão acesso a  umolhar totalmente novo para dentro da sociedade iraniana. A autora presenteia-nos com este autentico guia  de diferentes costumes com uma simplicidade esmagadora, que na sua simplicidade revela uma enorme complexidade e uma grande mestria e conhecimento de causa interno tanto da cultura ocidental, como da oriental (embora sempre da perspectiva oriental).
Uma obra apaixonante pela viagem de crescimento da autora (Persepolis é auto-biografico) entre o Irao e a sua estadia na Europa, e ao mesmo tempo uma excelente obra educativa e que em "meia duzia" de paginas nos permite perceber melhor o Irao e o seu povo do que com qualquer quantidade de informaçao convencional que vejamos em telejornais e/ou documentarios jornalisticos.
Persepolis é, quanto a mim, indispensável!


Tamara Drewe, o pedaço indispensavel de mariquice que me é sempre tao necessario para manter a minha sanidade mental.Perguntem-me o que é Tamara Drewe e eu nem sei bem o que dizer. Nao, eu nao vou ao wikipedia pesquisar as cenas para preencher os meus comentarios de pseudo informaçao trivial. Eu escrevo o que sei e  só sei no momento em que escrevo aquilo que estou a escrever. Claro (claro!) que eu tambem sou um gajo bue de culto e intelectual que por vezes se perde em infindaveis cadeias de links no wikipedia, mas eu nao estou no negocio da informaçao. A quem interessar que vá pesquisar por si proprio, que é aliás o que quase toda a gente faz. Nao gosto de bocas cheias, se me faço perceber.
Ok sorry a divagaçao. Tamara Drewe então. Bem, há pouco tempo estava aborrecido de morte e decidi ir a uma livraria á procura de uma novela gráfica qualquer pra ler. Ao olhar prás prateleiras destacou-se um livro de capa rija cor-de-rosa (hard? and pink? count me in!). Peguei, e na capa tinha um autocolante com boas criticas ao livro e o selo de um premio pra melhor banda desenhada de 2009 ou algo do genero. Ok, foi o que bastou para mim, e comprei.
Tamara Drewe é um livro escrito por uma gaja para gajas. É uma especie de novela com intrigas, traiçoes, ciumes, uma gaja boa no meio da narrativa (Tamara) e todas as outras personagens a babarem-se á sua volta com algum tipo de interesse. Basicamente é isto. Mas no fundo é bastante mais e é bastante bom e interessante, e o final é surpreendente. Esta é tambem daquelas obras que se lê e vê como um filme, e aliás, a versao cinematografica inglesa já está quase aí à porta.
Se sao daqueles gajos (vou fingir que só gajos param no meu blog lol) que só gostam de VanDammes e Chuck Norris, mantenham-se longe de Tamara Drewe. Mas se forem como eu, que curto uma boa dose de Vandammes e Chuck Norris mas tambem nao dispenso as minhas doses de L-Word e Gossip Girl, então corram e comprem Tamara Drewe. Há qualquer coisa neste livro que eu nao consigo muito bem explicar o que é mas que o torna muito especial.



Deveria ter começado com Watchmen pois foi o comic que me trouxe de volta ao meio (tinha parado prái nos meus 12/13 anos), mas só agora que tava a finalizar este post é que me lembrei.
Enfim, nesta altura já se torna quase inutil falar de Watchmen. Toda a gente já sabe que isto é uma obra-prima, e quem nunca leu o comic está a perder, muito! Mesmo para quem nao costuma ler bandas desenhadas, Watchmen é igualmente indispensavel. Heck, até pra quem nao sabe ler isto é indispensavel! Arranjem é maneira de pôr as maos no livro e devorem-no!
A unica coisa que posso acrescentar, e que o faço por nao haver tanta unanimidade, é que tambem adorei o filme! O filme é igualmente uma obra prima na minha opiniao! E nem estarei a exagerar se disser que é facilmente um dos meus filmes favoritos de sempre.
Muitos criticam o filme por ser uma cópia demasiado proxima das vinhetas do comic, outros criticam a diferença entre o final do comic e o final do filme, outros ainda criticam a banda sonora do filme...enfim, critica-se muita coisa. Eu adorei TUDO! A banda sonora é super-mega-hyper excelente e assenta que nem uma perfeita luva no filme. As interpretaçoes das personagens estão sublimes por parte de todos os actores, e a mudança de final, parece-me, foi uma decisao criativa acertada. Quem ler o comic rapidamente percebe que o final dificilmente seria...err....bem aceite numa tela de cinema. O que funciona numa banda desenhada, se traduzido á letra para o cinema, poderá implicar a chamada acçao de jumping the shark. Portanto eu aplaudo a mudança de final, embora tenha adorado o original no comic. E aplaudo tambem a mestria com que se conseguiu reproduzir de forma tao fiel o visual, o grafismo e a ambiencia do comic para o cinema.
Dito tudo isto, nao prefiro o livro ao filme, nem vice-versa. Acho simplesmente que cada um tem o seu estatuto de obra-prima no seu respectivo dominio.


De resto, agora comecei a ler Footnotes in Gaza. Deixo apenas aqui a capa, pois opiniao ainda nao tenho, indo ainda nas páginas iniciais. Mas já me parece muito bom...


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