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sábado, 27 de dezembro de 2008

O bico do compasso...

Sempre tive uma atitude bastante anti-Israel, no sentido em que me oponho totalmente ao seu governo, ás suas acção e seu métodos, e a todos os lobbys envolvidos na criaçao e manutenção daquele "Estado" (não confundir com anti-semitismo da minha parte, pois para mim a religiao é totalmente irrelevante para o caso, embora esteja, em parte, no centro do problema). No entanto, e apesar de por vezes, em tons de brincadeira, ter proferido opinioes mais radicais para resolver o problema ("era masé meter-lhes com duas atómicas em cima que resolvia logo tudo lool"), nunca fui do tipo de pessoa que alimentasse verdadeiramente alguma opiniao realmente radical em relação ao problema da regiao. Sempre separei o povo israelita do seu governo...sempre pensei que o mal a eliminar era apenas o governo, e a dissoluçao permamente de Israel. No entanto hoje mudei ligeiramente de opiniao...




A noticia do recente ataque do exercito israelita em Gaza deixou-me profundamente irritado e revoltado, por mais hipocrita e cinica que possa ser esta minha atitude, já que no fundo eu nada tenho a ver com o assunto (a nao ser, talvez, pelo facto de eu ser um cidadão deste planeta, e Israel ter um impacto directo em muitos dos conflitos que actualmente tanto ameaçam a sociedade global), e em nada contribuo para a sua resolução. Mas tal como disse, mudei de opiniao.

Apartir deste momento passo a considerar o povo israelita como cumplice directo de um Estado que perpectua massivos cobardes ataques terroristas sobre populações totalmente desprotegidas que apenas têm a infelicidade de servir de escudo humano para as facções islamicas radicais da zona (claramente, escudos humanos de nada servem neste conflicto, seja pra que lado for).

Como é que um povo, uma nação inteira - carambas, uma raça inteira pronto! - consegue viver naquele territorio de consciencia limpa?! Como raio conseguem eles ir votar nas suas eleições?! Como pode um povo viver sobre a alçada de um Governo que massacra e assassina em massa centenas de inocentes todos os anos (e que por consequencia catalisa outros confrontos onde ainda mais morrem). Será que uma carta branca pra poder residir livremente nas praias do Mediterraneo vale assim tanto?! Valerá assim tanto a livre cidadania em Israel para todos os Judeus desse mundo fora?!

Será que se agora, apenas por ser de origem catolica, me oferecessem carta branca pra ir viver pra um gueto "limpo" na Birmania, com varias beneces sociais, eu aceitaria? Mesmo sabendo que estaria rodeado de infelizes em estado de alerta constante a olhar para o céu temendo o mais pequeno dislumbre de uma helice de um qualquer Apache?! Eu, não! Não seria capaz.
E é por isso que agora considero o proprio povo de Israel como cumplice das acções do seu governo, do seu exercito. E enquanto nao actuarem para eles próprios mudarem a situação, estou certo que a História mais tarde os julgará por isso.

A revolução tem que vir de dentro! Se forem os de fora a resolver, ou a tentar resolver, só dá esterco. Tem que ser o proprio povo. Se algum dia a China se democratizar, terá de ser o seu próprio povo a lutar para que isso aconteça. A Revolução Francesa nao foi alcançada por mais ninguem senao os proprios franceses, assim como a Revolução do 25 de Abril surgiu de uma elite mais ou menos iluminada, mas ainda assim portuguesa, de dentro!

Para o bem ou para o mal, um Estado não explode, implode!

2 comentários:

Sabrina Abreu disse...

Pelo modo com escreve, você me pareceu ser português. Sendo assim, talvez tenha estudado a história de seu país e saiba que Portugal expulsou de suas terras (aqueles que não foram queimados nas fogueiras da Santa Inquisição, quero dizer) à suas colÔnias, como o Brasil. Antes, porém, de esses judeus irem parar em Portugal, eles foram expulsos de sua terra, hoje ISrael, por babilônicos e, depois, por romanos. Então, recapitualando, os judeus viviam em sua terra, foram expulsos, imigraram por Portugal e foram expulsos de novo. Hoje, eles têm um lar... E você acha que é pouco? Que nõa devem resistir para permanecer lá por muito mais do que as areias brancas que circundam o Mediterrâneo? Vocè já foi a ISrael? Eu, sim. Você conhece árabes muçulmanos e cristãos? Conhece drusos? Conhece judeus liberais e ordoxos? Se naõ, acho que você deveria shine your life com outras questões com as quais você possa ter mais interesse/intimidade.
Shalom, shalom!

Leinad disse...

Se vier a ler esta resposta, obrigado.

Primeiro, sim, conheço bastantes arabes, conheço judeus, e até conheço ateus (o que é irrelevante. eu nao preciso de conhecer Darth Vader pessoalmente pra saber que é um vilao, nem preciso de conhecer Gandi pra saber que é um iluminado).

Tal como disse no inicio do meu artigo, para mim a religiao, no sentido de julgar, nao entra em causa. Por mim Israel poderia ser habitada apenas por Taoistas que a minha opiniao em nada mudaria.

O que me preocupa é que existam pessoas que preferem utilizar a Historia, e as suas historias de vingança por resolver, para justificar tragédias actuais, que estao a acontecer neste momento! Acho que essa é uma atitude terrivelmente egoista e ignorante, e se torna tragicamente assustadora quando adoptada e divulgada por muita gente, como infelizmente hoje tanto acontece.

Tambem fico particularmente triste, e (mais uma vez) assustado, ao verificar que os defensores do "Estado" de Israel sao pessoas completamente manipuladas pela máquina do medo e pelos lobbies capitalistas bélicos actuais, tao cultivados no seio da nossa sociedade.

O "individuo comum" frequentemente se interroga quando v~e certas noticias, "como é possivel pessoas cultas e de bom senso se envolverem em cultos e verem os seus cerebros lavados de tal forma que chegam a cometer suicidios colectivos pela causa?!"(um exemplo aleatorio). Pois bem, eu pergunto, como é possivel que tantas pessoas no mundo racionalizem e tentem justificar aquilo que é, puro e simplesmente, actos de homicidio em massa contra inocentes?