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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Á prova de Morte / Death Proof


Pois é, o mais recente filme realizado por Quentin Tarantino, Death Proof, já está á solta pelas salas portuguesas, e eu, como bom fã e individuo sem mais nada pra fazer, aproveitei pra ir ver logo no dia de estreia. E aproveito assim pra dar a minha opinião....nada de muito desenvolvido, nem tão pouco uma critica mesmo coisa lol, apenas uma opinião.

Bem, primeiro que tudo, e sendo um fã que conhece e possui ("Basofe!! Hui que basofe este gajo!!) todos os filmes realizados por Tarantino (repare-se que eu digo "realizados" qué pra não haver misturas com aqueles filmes ranhosos que têm nos cartazes publicitários a dizer "Quentin Tarantino Presents..."), devo dizer que este Death Proof é um autentico ovni na filmografia de Tarantino, mesmo tendo em conta que todos os seus filmes são bastante peculiares.
De facto a primeira impressão que se tem enquanto se vê o filme, é que este, ao contrário dos seus anteriores, não foi um projecto tão trabalhado, tao estudado....não foi um filme com tanto tempo de produção, e muito menos de pré-produção. O que não quer dizer que isto influencie a sua qualidade, nada disso, no entanto distancia-o bastante (a meu ver claro, tudo isto é apenas a minha opinião) dos restantes filmes do cineasta, embora ainda assim se consigam encontrar bastantes semelhanças tipicamente "Tarantinianas", principalmente a nível de diálogos.

E os diálogos são precisamente o principal pilar deste Death Proof, e, provavelmente, o que fará com que a maioria do publico em geral com ele se aborreça, digo eu. De facto, e segundo me pareceu, cerca de 75% do filme são diálogos! Sim, pra todos aqueles que diziam que o primeiro Kill Bill nao tinha sufecientes diálogos e que o 2 os tinha em excesso, este Death Proof parece ser o equilibrio perfeito dos dois [what?! Isso nao faz sentido nenhum! Pois não :) ]

E é precisamente nos diálogos que está presente tanto o ponto mais forte do filme, como o seu pior. Por um lado, temos os tipicos diálogos (contem quantas vezes já escrevi "diálogos") de Tarantino...por outro lado, temos os tipicos diálogos de Tarantino! Ou seja, claro que são bons e tal, mas a verdade é que Tarantino está a mostrar uma séria dificuldade em criar diálogos realmente surpreendentes e que fujam áquilo que já vimos antes [em particular nos três primeiros filmes do cineasta (Google it muthafucker!) ]. Temos as conversas casuais do costume, vulga conversa da treta, sempre com muita cultura pop á mistura que se prolongam por vários, e, prolongados minutos (!), o que, tal como já disse, poderá aborrecer aqueles que estavam á espera dum alto filme de perseguiçoes á lá Velocidade Furiosa ou/e não conheçam o estilo de Tarantino.
O que acontece, é que Quentin já provou que é um mestre dos diálogos da treta (Pulp Fiction, conversa sobre o Big Mac...best dialog eva? Oh yes!), agora seria interessante era vê-lo a escrever diálogos com outro tipo de abordagem, e/ou abordando assuntos mais complexos e profundos, embora os diálogos de Tarantino não pequem de forma nenhuma em complexidade e profundidade...mas enfim, voces percebem....espero eu.

Outro problema, nos diálogos, são as actrizes. É muito bom quando se têm excelentes linhas escritas, mas tambem é preciso ter actores que correspondam em qualidade pra dize-los :/ , e neste Death Proof nem sempre isto acontece. Em particular na personagem de Jungle Julia (não sei o nome da actriz), que por vezes fala de uma forma tão tipicamente Tarantiniana e de uma forma tão forçada, que mais valia ser o proprio Tarantino a representar!
Mas pronto, ainda assim, e numa apreciaçao geral, gostei muito da vertente "dialogal" do filme e as actrizes, tambem em geral lol, são bastante competentes. Ah, e o Kurt Russel faz um papelão do cáraii! Esse sim conseguiu dar alma e carisma á sua personagem...Stuntman Mike, lol.

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De resto, temos as cenas de acção, carnage e perseguições automóveis que estão muito bem feitas, ou não tivesse Tarantino deixado já bem claro que é um excelente realizador de acção. Surpreendentemente, as cenas que envolvem velocidade automovel não ocupam tanto espaço assim no filme (quer dizer, já não é surpreendente, já que eu tinha dito que a maioria era diálogo), no entanto compensam totalmente em emoção e adrenalina, até finalmente cuminarem num ridiculamente excelente climax final!

E o que seria falar de um filme de Quentin Tarantino sem falar da banda sonora? Seria estupido, no minimo! E eu não me considero estupido, e por isso vou falar....da banda sonora....mas não muito (tou cansado).
A vertente musical deste filme também foge bastante áquilo que estamos habituados a ver nos filmes de Tarantino, isto porque, e citando certas pessoas da tv-land, é muito mais organica e fluida que nos outros filmes....está mais encaixada com o cenário, com aquilo que está a acontecer. Ou seja, neste Death Proof não são tantas as vezes em que surge uma musica completamente marada saída sabe-se lá de onde pra acompanhar uma cena como acontece noutros filmes de Tarantino (por acaso uma das melhores cenas do filme, imo, é mesmo assim com "musica marada" sabe-se lá de onde, a cena da SMS. Depois de verem percebem). Aqui é tudo mais natural e realista. Agora, isso é bom? É, sem duvida, pra este filme pelo menos. No entanto, e falando por mim, a banda sonora deste filme, nem de perto nem de longe me marcou como as dos anteriores filmes do realizador. Mas é boa e funciona! Disso não restem duvidas, por favor.

Enfim, que mais há a dizer? Hmm.....ah, como é obvio, ou não fosse este "A Quentin's Tarantino movie", as referencias á pop-culture e a todo o tipo de séries, filmes e musicas obscuras continuam presentes e bem espalhadas um pouco por todo o filme, seja em linhas de diálogo ou mesmo no cenário. Além destas referencias, também as há aos próprios filmes de Tarantino, seja na reciclagem de pequenas linhas de diálogo de Pulp Fiction, Jackie Brown e sobretudo Kill Bill (pelo menos foi as que detectei), seja também em personagens que já surgiram noutros filmes do realizador (não vou dizer qual ou quais, qué pra não fazer ainda mais spoiler) ou outros pormenores espalhados pelo filme....tentem encontrá-los ;)

Convém também referir outras das tipicalidades de Tarantino, que são as brincadeiras que ele faz com a imagem. Os filtros pra dar uma impressão mais gasta á imagem ou as cenas a preto e branco estão incluidas. Enfim, tal como disse, as cenas tipicas á Tarantino, nada que vá surpreender quem conhece os seus filmes.

E pra acabar, quero só dizer que eu não falei sobre a história do filme nem como o filme é, no fundo. Nao o fiz porque não gosto. Não curto quando leio criticas ou comentários a filmes e tem lá a história todo exposta ou assim. Gosto de ler sobre um filme sim, mas sobre o que faz dele um bom ou mau filme, não o que ele tem de bom ou mau exactamente, para assim poder desfrutar dele sabendo o menos possivel e deixar-me surpreender ao máximo pela pelicula.

Prá'lém disto, também não falei das influencias dos filmes série B dos anos 70 neste filme, nem tão pouco da cena deste filme fazer parte da tentativa, em colaboraçao com o Planet Terror de Robert Rodriguez, de ser uma experiencia de tipo Grindhouse. Não falei porque acho chato, e além disso, o pessoal que é fã, e a quem este texto interessa, já tá farto de saber essas cenas todas e eu não vou estar aqui a repetir tudo e a explicar só pra parecer mais formal.

E agora sim, mesmo mesmo prá'cabar, quero apenas dar os meus comentários finais (eu sei que nao se dão!).
O filme é muito bom! Eu achei muito bom, e achei que o excelente final justifica qualquer falha que o filme possa ter pelo meio (e eu nem sou um gajo que considero os finais muito importantes na apreciaçao qualitativa de um filme). É daqueles filmes que nos deixam com um enorme sorriso estampado na cara ao sair da sala de cinema....enorme mesmo!
No entanto, também acho que este Death Proof é um autentico ovni na obra de Tarantino, e será provavelmente, no futuro, considerado como o outsider da sua filmografia.

Excelente, emocionante, alcoolicamente sexy e metalicamente cru, Death Proof é a prova de como usando o passado se pode fazer uma belissíma obra de cinema actual! Recomendo e fica recomendado!

Agora que venha o DVD....



*Btw, antes de começar o filme, passou um trailer do filme dos Simpsons...dobrado em portugues!!! NOOOOOOOO!!! E sim, era muito, muito....ai credo....MUITO MAU!!! Medo!*

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